
Maputo, 02 fev 2026 (Lusa) — A cooperação espanhola disponibilizou hoje a Moçambique equipamentos purificadores de água prevendo abastecer mais de 15 mil pessoas por dia, incluindo outros apoios, face “ao momento desafiador” das cheias no país.
“São ‘kits’ humanitários, que pode ser de lonas, ajuda alimentícia, médica”, para contribuir para a melhoria da situação “das pessoas que estão a sofrer”, disse aos jornalistas a embaixadora da Espanha em Moçambique, Teresa Orjales, que falava, em Maputo, à margem da apresentação da ajuda humanitária à ministra moçambicana de Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, acabada de chegar ao país.
A segunda componente é uma unidade para fornecer água potável, com capacidade para purificar mais 220 mil litros por dia e dar ajuda a mais de 15 mil pessoas diariamente, para higiene e consumo.
Segundo Teresa Orjales, acompanha o apoio uma equipa de 16 voluntários, técnicos qualificados, dos quais, alguns já enviados para província de Gaza, a mais afetada pelas inundações que afetaram desde janeiro mais de 720 pessoas em todo o país, para orientar a instalação da máquina e facilitar a distribuição da água, atividade orientada pelo Fundo das Nações Unidas para Infância.
O envio da ajuda humanitária desde a Espanha, explicou a diplomata, foi ao abrigo do Mecanismo Europeu de Emergências, sendo a “manifestação máxima do compromisso inabalável” da União Europeia (UE) neste “momento desafiador” que se vive em Moçambique, envio facilitado através da Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento (AECID).
Na ocasião, a chefe da diplomacia moçambicana enalteceu o apoio de Espanha, reconhecendo também o “momento difícil” no país europeu após um acidente ferroviário que provocou vários mortos e feridos.
“Eles trouxeram aqui equipamentos que vão ajudar o nosso povo (…). Então, nós podemos agradecer à Espanha por esse apoio, porque apesar de eles estarem passando um momento difícil agora, tiveram um acidente ferroviário que matou cerca de 40 pessoas. Eles, mesmo assim, no momento do luto, mobilizaram-se para poder apoiar Moçambique”, referiu Maria Lucas, reconhecendo que a unidade purificadora vai ajudar a controlar as doenças hídricas, que poderão agravar com as cheias.
O embaixador da UE em Moçambique, Antonino Maggiore, recordou também a ajuda da União Europeia com mais dois milhões de euros, anunciados hoje, que assim totalizam três milhões de euros doados a Moçambique face às intempéries, gesto agradecido pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.
De acorodo com informação da AECID, a unidade purificadora, designado módulo ‘Aquastart’, visa “responder à emergência” vivida em Moçambique, em que alguns postos de abastecimentos de água que estão danificados.
O apoio inclui 200 ‘kits’ de ferramentas de abrigo, 1.200 lonas, 8.000 galões dobráveis de 10 litros, 714 ‘kits’ de higiene familiar e 120 tendas geodésicas familiares, considerados materiais essenciais destinados a suprir necessidades imediatas de abrigo, água, saneamento e higiene, com um valor total de 106.058,15 euros, avança-se na nota da AECID.
É referido ainda que o apoio permitirá atender as necessidades básicas de até 56.170 pessoas, com prioridades às famílias vulneráveis afetadas pelas cheias, fornecendo abrigo temporário, com armazenamento seguro de água e condições mínimas de higiene, “num contexto de elevado risco para a saúde”.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 844.295 pessoas afetadas, segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
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