
Lisboa, 14 set 2026 (Lusa) – Um relatório hoje divulgado pela Agência Especial Europeia (ESA) alerta para o “risco crescente de acidentes no solo com fragmentos” de objetos que sobrevivem à reentrada na atmosfera terrestre, fruto do aumento de lançamentos de satélites.
“Enquanto a probabilidade de um acidente continua baixa quando comparada com os muitos riscos diários, a tendência crescente reflete o efeito cumulativo de mais lançamentos, mais satélites e mais reentradas”, refere o relatório da ESA de 2026 sobre ambiente espacial.
Segundo a ESA, a redução do risco pode ser alcançada através de um número maior de reentradas controladas de objetos na atmosfera terrestre e pela adoção mais ampla de tecnologias que permitam destruir o mais possÃvel os satélites durante a reentrada na atmosfera.
O relatório, que reúne dados de 2025, alerta ainda para a crescente insegurança e a possÃvel inutilização de certas regiões da órbita terrestre devido ao aumento do lixo espacial provocado pela colisão e fragmentação de objetos em órbita.
De acordo com a ESA, mesmo que em teoria novos satélites não sejam lançados, a quantidade de detritos no espaço “continuará a aumentar” porque “os eventos de fragmentação geram detritos mais depressa” do que a sua “reentrada natural na atmosfera terrestre”.
“Com o tempo, isto pode tornar algumas regiões orbitais cada vez mais inseguras e potencialmente inutilizáveis”, adverte a ESA, considerando que “a maior ameaça a longo prazo” não é só a colocação em órbita de cada vez mais objetos, mas também o “ciclo autossustentável de colisões” de detritos que “cria fragmentos que acionam novas colisões”.
Para a ESA, será importante prevenir a formação de mais lixo espacial (como restos de foguetões ou satélites) através de boas práticas e medidas de gestão do tráfego espacial e eliminação de objetos em fim de vida útil, mas também assegurar a remoção em órbita dos detritos.
O relatório salienta que as atividades espaciais “continuam a crescer a um ritmo notável”, tendo no ano passado sido feitos mais de 300 lançamentos que permitiram a colocação em órbita de mais de quatro mil objetos, incluindo grandes constelações de satélites, que estão a expandir-se a várias altitudes.
No documento, a ESA destaca ainda que por cada dez objetos que foram enviados diariamente para o espaço em 2025, três reentraram intactos na atmosfera terrestre, traduzindo “uma mudança positiva em direção a tempos de vida orbital mais curtos”.
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