
Ancara, 23 mai 2022 (Lusa) — O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse hoje que vai deixar de conversar com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, e vai cancelar uma reunião importante entre os dois governos, acusando o governante helénico de antagonizar a Turquia.
“Este ano deverÃamos ter uma reunião do conselho estratégico. Não há mais ninguém chamado Mitsotakis no meu registo. Jamais vou aceitar ter um encontro assim com ele, porque [nós] caminhamos no mesmo caminho do que os polÃticos que cumprem as suas promessas, que têm caráter e que são honrados”, disse o chefe de Estado da Turquia, após uma reunião de gabinete.
Erdogan acusou a vizinha Grécia de abrigar seguidores do teólogo muçulmano Fethullah Gulen, que a Turquia diz estar por trás de uma tentativa fracassada de golpe em 2016, e de estabelecer bases militares contra o território turco. Gulen nega há muito a alegação turca.
Então, o Presidente da Turquia acusou Kyriakos Mitsotakis de recomendar às autoridades norte-americanas para que Washington não vendesse caças F-16 à Turquia durante uma recente visita aos Estados Unidos.
Erdogan alegadamente estava a referir-se a um discurso que o governante grego fez em Washington em 17 de maio, quando disse no Congresso que os norte-americanos deveriam evitar criar uma nova fonte de instabilidade no flanco sudeste da NATO.
“A última coisa que a NATO precisa num momento em que o foco é ajudar a Ucrânia a derrotar a agressão da Rússia é outra fonte de instabilidade no flanco sudeste da NATO. E peço que leve isso em consideração quando tomar decisões de aquisição de defesa relacionadas com o Mediterrâneo oriental”, disse Kyriakos Mitsotakis, na ocasião.
Respondendo aos cometários de Erdogan de hoje, o porta-voz do Governo grego, Yiannis Economou, disse que Atenas “não vai entrar em confronto de declarações com liderança turca”.
“A polÃtica externa grega é fortemente baseada na história, no direito internacional e nas nossas alianças, por mais que isso incomode alguns”, afirmou.
A Grécia e a Turquia são aliadas da NATO, mas têm relações históricas tensas devido a uma série de questões, incluindo reivindicações concorrentes de fronteiras marÃtimas que afetam os direitos de exploração de energia no Mediterrâneo oriental.
O Presidente turco ameaçou hoje também lançar uma nova operação militar na SÃria para proteger a fronteira sul da Turquia.
O objetivo da operação seria retomar os esforços turcos para criar uma zona segura de 30 quilómetros ao longo da sua fronteira com a SÃria.
“Em breve, vamos tomar novas medidas em relação à s partes incompletas do projeto que começamos na zona segura de 30 quilómetros de profundidade que estabelecemos ao longo da nossa fronteira sul”, disse Erdogan.
O lÃder turco não adiantou mais pormenores, mas indicou que a operação vai começar depois de as forças militares, de inteligência e de segurança da Turquia concluÃrem os preparativos.
As forças turcas lançaram três grandes incursões no norte da SÃria, assumindo o controlo de áreas ao longo da fronteira numa tentativa de proteger a sua fronteira contra ameaças do grupo extremista Estado Islâmico e das unidades de proteção curdas (YPG).
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