
Maputo, 07 mai 2026 (Lusa) – Os empresários moçambicanos esperam dias “muito difíceis”, sobretudo ao nível no poder de compra, após o aumento dos preços de combustíveis, que chega a 45% no gasóleo, defendendo ações conjuntas com o Governo para reduzir um impacto “inevitável”.
“Significa que teremos este impacto todo repassado aos consumidores finais. Podemos esperar dias mais difíceis”, disse à Lusa o vice-presidente da Confederação das Associações Económicos (CTA), Onório Manuel, reconhecendo que a problema já era “conhecido, mas não na perspetiva do aumento dos combustíveis que influenciam em todas as áreas”.
“Quanto ao consumidor final, às famílias, vai haver uma redução do poder de compra”, admitiu.
Em causa está o impacto nas cadeias globais dos combustíveis da guerra no Médio oriente.
“É uma situação que temos que aceitá-la e não politizar. E isso não tem absolutamente nada a ver com aquilo que é a boa ou não gestão do Governo. Tem a ver com a conjuntura internacional”, referiu o responsável, considerando a redução do poder da compra do consumidor como um “impacto direto” desta crise.
Moçambique enfrenta há várias semanas dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o país e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes, na sequência do conflito no Médio oriente.
Em Moçambique, o gasóleo subiu hoje 45,5% e a gasolina 12,1%, com o regulador do setor a justificar a revisão em alta dos combustíveis com os preços praticados a nível internacional.
Entre outras consequências dos ajustes nos preços de combustíveis, sobretudo para o consumidor final, a CTA aponta o aumento do custo de vida das famílias que, alertou, “vai perpetuar” situações de “desigualdade”.
“Teremos aqui as famílias moçambicanas a terem muito mais dificuldades para suprirem necessidades básicas. Fazerem cesta básica. Vão ser dias muito difíceis. (…) O Governo tem que desenhar estratégia com o setor privado, encontrar formas para reanimar a economia”, defendeu.
Onório Manuel reconheceu que para Moçambique são esperados “impactos nefastos” e com reflexos em toda a cadeia, da produção até ao escoamento de produtos, nos vários setores, dos quais o turismo, comércio, serviços, agricultura, além dos transportes.
“No fundo, não haverá nenhum setor que não terá impacto”, disse.
Como alternativas para mitigar o impacto defendeu o reforço do transporte público, com introdução de viaturas elétricas e outras movidas a gás, considerando específico para aliviar o peso e ajudar à sobrevivência da população.
O vice-presidente da CTA reconheceu ainda que as empresas moçambicanas não estavam preparadas para os novos preços de combustíveis, pedindo intervenção do Governo para mitigar os efeitos.
“A situação era inevitável, mas isso não significa que as empresas estão preparadas, não, embora, digamos, as empresas moçambicanas são especialistas em lidar com crises”, referiu, pedindo, contudo, a mobilização de fundos para o setor produtivo.
Um litro de gasolina passa a custar 93,69 meticais (1,23 euros), face aos anteriores 83,57 meticais (1,10 euros). O preço do gasóleo passa de 79,88 meticais (1,06 euros) para 116, 25 meticais (1,54 euros), o petróleo de iluminação de 66,86 meticais (0,87 cêntimos de euros) para 97,56 meticais (1,29 euros), o gás de cozinha de 86,05 meticais (1,14 euros) para 87,82 meticais (1,15 euros) por quilograma e o gás natural veicular de 41,11 meticais (0,54 cêntimos de euros) para 52,73 meticais (0,69 cêntimos) por litro.
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