
Bissau, 23 ago 2024 (Lusa) — Um grupo de 17 empresários da provÃncia chinesa de Hunan anunciou hoje a construção na Guiné-Bissau de uma fábrica para transformação local da castanha de caju, principal produto agrÃcola e de exportação do paÃs africano.
Os empresários chineses, que hoje terminam uma visita de prospeção de dois dias a Bissau, rubricaram um acordo geral com o presidente da Câmara do Comércio, Agricultura, Indústria e Serviços (CCIAS), Mama Samba Embaló.
O ato foi testemunhado pelo ministro guineense do Comércio e Indústria, Orlando Viegas, que enalteceu a oportunidade que os empresários chineses vão trazer para o paÃs, nomeadamente a “mudança do paradigma”.
“É uma grande vantagem para o paÃs. A castanha do caju é o produto estratégico do paÃs e é preciso que seja valorizado”, afirmou Viegas.
O governante notou que, até aqui, paÃses vizinhos da Guiné-Bissau beneficiam da castanha do caju do paÃs através do contrabando nas fronteiras.
Orlando Viegas admitiu que alguns paÃses tinham fábricas de transformação que eram alimentadas com a castanha contrabandeada da Guiné-Bissau.
“A tÃtulo de exemplo, vimos muitas fábricas de transformação a serem fechadas em Ziguinchor porque montámos um sistema rigoroso de controlo nas fronteiras”, declarou o ministro guineense.
Ziguinchor é a capital da região senegalesa de Casamansa, que faz fronteira com o norte e o leste da Guiné-Bissau.
O presidente da CCIAS, Mama Samba Embaló, agradeceu ao chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló, que disse ser o promotor do acordo hoje rubricado com os empresários chineses.
O lÃder da Câmara do Comércio guineense observou que o acordo “é fruto da recente visita” de Sissoco Embaló à China.
 Mama Samba Embaló transmitiu aos empresários chineses que a Guiné-Bissau tem capacidade para produzir 300 mil toneladas da castanha de caju, mas que tem sido exportado, em bruto.
Transformar localmente o produto no paÃs, ainda que sejam 50 mil toneladas por ano, é para Samba Embaló “a concretização de um sonho”.
“Nem dez por cento da nossa castanha é transformada aqui no paÃs”, sublinhou.
Para o presidente da CCIAS, a possibilidade de os produtos agrÃcolas da Guiné-Bissau, o caju em particular, serem comercializados para a China “é um privilégio”.
Mama Samba Embaló frisou que os empresários chineses da provÃncia de Hunan, com cerca de 77 milhões de habitantes, ainda querem investir cerca de 20 milhões de dólares (17,9 milhões de euros) na produção de energia renovável na Guiné-Bissau.
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