
Jerusalém, 07 out 2023 (Lusa) — O ministro da Energia israelita, Israel Katz, anunciou hoje ter assinado um decreto a ordenar que a empresa pública de energia elétrica “cesse o fornecimento de eletricidade a Gaza”, em retaliação aos ataques do Hamas.
“Não vai ser como antes”, disse Katz, num comunicado sobre a medida a aplicar à população de Gaza, citado pela agência EFE.
Gaza depende de Israel para o seu fornecimento de eletricidade, bem como para a importação de combustÃvel para alimentar a sua única central térmica.
Com esta medida, a Faixa de Gaza passa de 12 horas de fornecimento de energia elétrica por dia para apenas quatro, que é toda a energia que a sua central pode fornecer, desde que tenha combustÃvel.
Por outro lado, segundo dados do Gabinete do Quarteto do Médio Oriente, criado em 2002 e constituÃdo pelas Nações Unidas, União Europeia (UE), Estados Unidos da América e Rússia, os residentes de Gaza só têm eletricidade durante cinco a 15 horas por dia, e importam habitualmente até 120 megawatts (MW) da empresa pública israelita quando a central elétrica de Gaza, com capacidade teórica de 140 MW, fornece 60 a 80 MW num ciclo normal.
O grupo islâmico Hamas lançou hoje um ataque surpresa contra o território israelita, sob o nome de operação “Tempestade al-Aqsa”, com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar.
Em resposta ao ataque surpresa, Israel bombardeou a partir do ar várias instalações do Hamas na Faixa de Gaza, numa operação que baptizou como “Espadas de Ferro”.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou hoje que Israel está “em guerra” com o Hamas.
Esta nova guerra causou mais de 100 mortes em Israel e mais de 1.100 feridos, enquanto os ataques aéreos de retaliação da aviação israelita custaram pelo menos 198 vidas e deixaram mais de 1.600 feridos em Gaza, segundo dados oficiais, números que deverão aumentar nas próximas horas.
Em 30 julho, milhares de pessoas saÃram à s ruas na Faixa de Gaza para protestar contra os cortes crónicos de energia e as difÃceis condições de vida, numa rara demonstração pública de descontentamento com o governo do Hamas, que controla o território desde 2007.
Centenas de pessoas participaram em marchas na Cidade de Gaza, na cidade meridional de Khan Yunis e noutros locais, gritando “vergonha” e, num dos locais, queimando bandeiras do Hamas, antes de a polÃcia intervir e dispersar as concentrações.
A polÃcia destruiu telemóveis de pessoas que estavam a filmar, e testemunhas disseram que houve várias detenções em Khan Yunis, segundo a agência Associated Press.
As manifestações foram organizadas por um movimento promovido ‘online’ chamado “alvirus alsakher”, ou “o vÃrus da zombaria”, e desconhece-se quem está por detrás deste movimento.
Em 2007, o Hamas tomou o controlo de Gaza das forças do lÃder da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, o que levou Israel e o Egito a imporem um bloqueio ao território.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação no Médio Oriente e a questão palestiniana realiza-se no domingo, na sequência deste novo conflito entre Israel e o Hamas, anunciou hoje em comunicado a ONU.
O Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), já tinha indicado que convocaria “uma reunião de emergência da organização” para tratar da situação em Israel e na Faixa de Gaza.
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