
Copenhaga, 06 jul 2026 (Lusa) — A dinamarquesa Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, anunciou que vai retomar o trânsito pelo Canal de Suez, uma rota que os seus navios evitavam desde os primeiros ataques dos houthis, do Iémen, em 2023.
“A Maersk e a Hapag-Lloyd anunciam uma alteração estrutural num dos serviços da Gemini, o serviço AE15: este passará a utilizar a rota através do Canal de Suez em vez de transitar pelo Cabo da Boa Esperança”, informou a Maersk em comunicado, citado pela AFP.
Gemini é o nome da parceria entre a Maersk e a armadora alemã Hapag-Lloyd. O serviço AE15 liga a Ásia, o Mediterrâneo e a Europa.
A decisão de evitar o Mar Vermelho, o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez remonta a 19 de novembro de 2023, quando foi realizado o primeiro ataque pela milícia houthi, aliada do Irão, a partir da costa do Iémen, contra um navio porta-contentores.
Este desvio obrigou os navios a contornar o continente africano, navegando ao longo da costa oriental de África até ao Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África do Sul, antes de seguirem novamente para norte em direção ao Mediterrâneo e à Europa.
“Esta decisão conjunta com a Hapag-Lloyd resulta de uma análise aprofundada da situação de segurança na região do Mar Vermelho e representa um passo rumo a um regresso gradual ao corredor através do Canal de Suez”, explicou a Maersk, acrescentando que esta alteração permitirá reduzir os tempos de trânsito.
Contudo, a retoma está condicionada à manutenção da estabilidade da situação de segurança na região, estando previstos planos de contingência caso as condições se deteriorem.
Segundo os especialistas, cerca de 70% dos fluxos de mercadorias que, em 2023, passavam pelo Mar Vermelho foram desviados para a rota do Cabo da Boa Esperança.
De acordo com os dados da plataforma Portwatch, do Fundo Monetário Internacional (FMI), baseados nos sinais GPS dos navios, o número de passagens de porta-contentores pelo Cabo da Boa Esperança mais do que triplicou nos últimos três anos, enquanto as passagens pelo estreito de Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez caíram para menos de metade.
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