Emissão de dívida de Angola, Cabo Verde e Moçambique sobe no conjunto 20% este ano – S&P

Londres, 21 mar 2026 (Lusa) – A agência de notação financeira Standard & Poor’ prevê que Angola, Cabo Verde e Moçambique emitam, no conjunto, 6,6 mil milhões de dólares de dívida pública este ano, mais 20% face aos 5,5 mil milhões emitidos em 2025.

Num relatório sobre o endividamento dos 27 países africanos avaliados pela S&P, os analistas apontam que Angola precisa de angariar 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros), seguida de Moçambique, com 2,3 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros), e Cabo Verde, com 100 milhões de dólares (87 milhões de euros).

No ano passado, estes três países lusófonos africanos endividaram-se em 5,5 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros), um valor que é um quinto abaixo das previsões de endividamento para este ano, nos 6,6 mil milhões de dólares, ou 5,7 mil milhões de euros.

Nas razões para esse aumento, sobretudo de Angola, a S&P refere que é expectável que este paíes lusofono e a Nigéria contraiam mais dívida devido a “despesas adicionais pré-eleitorais que limitem a dinâmica favorável do setor petrolífero e os ganhos de receitas associados às suas reformas fiscais em curso e às medidas de cobrança de receitas”.

O documento nota ainda que Angola compara negativamente com os outros países africanos, já que o grupo em que está inserido “apresenta rácios de [pagamento de juros] sobre receitas que são pelo menos o dobro da média global de cerca de 9%”.

No conjunto da região, a S&P diz que os países africanos deverão emitir 155 mil milhões de dólares de dívida pública, um aumento de 12,6% face aos 137,4 mil milhões emitidos em 2025.

“O aumento para 155 mil milhões de dólares [134,4 mil milhões de euros] face aos valores de 2025 é impulsionado, em partes aproximadamente iguais, pelo vencimento de obrigações de dívida e pelas necessidades contínuas de financiamento orçamental”, escrevem os analistas da S&P.

Na nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, a S&P afirma que “isto aumentará a dívida comercial soberana africana total em circulação para pouco mais de 1,2 biliões de dólares [mais de um bilião de euros], ou 45% do PIB (incluindo a dívida de curto prazo), até ao final de 2026”.

MBA // ANP

Lusa/Fim