
Lisboa, 01 nov 2026 (Lusa) — A embaixada dos Estados Unidos em Lisboa emitiu hoje um alerta de segurança a recomendar precaução aos cidadãos norte-americanos devido aos protestos contra a crise da habitação em Lisboa e Porto.
“Protestos e manifestações sobre habitação e custo de vida estão a ocorrer em Portugal, incluindo Lisboa e Porto. Grupos apelaram à continuação dos protestos e, recentemente, a polícia respondeu com métodos de controlo de multidões, incluindo gás lacrimogéneo”, refere na mensagem a representação diplomática dos EUA em Lisboa, publicada na rede social X.
A embaixada alerta que os percursos das manifestações são sujeitas a autorização, mas “podem haver mudanças de última hora” e “podem ocorrer protestos fora das rotas planeadas”.
Na mensagem, a embaixada recomenda aos cidadãos norte-americanos que evitem a Praça do Rossio, em Lisboa, e a Praça Dom João I, no Porto.
Pede ainda atenção e cautela na proximidade de grandes aglomerações ou protestos e que se acompanhe a situação através da imprensa local.
Desde 10 de outubro têm-se sucedido no país manifestações contra a crise na habitação, das quais algumas envolveram acampamentos que foram desmobilizados pela polícia.
Na madrugada de hoje houve mais uma carga policial: a PSP dispersou as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas.
A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
A atuação policial motivou um pedido de esclarecimentos do Presidente da República, António José Seguro, ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
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