
Casal dos Bernardos, Ourém, Santarém 02 fev 2026 (Lusa) – Na freguesia de Casal dos Bernardos, em Ourém, realiza-se hoje o primeiro funeral, após a tempestade de quarta-feira, apesar de o cemitério ter ficado danificado e de ser difÃcil encontrar o coveiro.
A falta de comunicações obriga os residentes a marcar pontos de encontro para combinarem obras de restauro em residências ou a retirada de árvores, e, no caso do presidente da Junta de Freguesia, encontrar o coveiro para o funeral que vai ter de se realizar hoje à tarde.
“A Junta de Freguesia trata dos funerais, de toda a burocracia com as funerárias, mas não estou a ser capaz de encontrar o coveiro”, lamentou AnÃbal Pereira, o autarca local.
Trata-se do funeral de um habitante local que morreu de causas naturais nos últimos dias, não tendo sido possÃvel realizar anteriormente as cerimónias fúnebres, devido à s condições climatéricas e aos acessos bloqueados.
Uma parte significativa das campas do cemitério da freguesia de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, no distrito de Santarém, ficaram seriamente danificadas, sobretudo as lápides de mármore e de granito polido de grandes dimensões.
O cemitério, fundado em 1948, fica em frente ao adro da Igreja de Santo António e, apesar de ficar num ponto alto, as telecomunicações são impossÃveis.
O telhado da igreja de Santo António ficou também seriamente danificado pela força do vento da tempestade Kristin, na madrugada de quarta-feira.
AnÃbal Pereira e outros elementos da Junta de Freguesia, na impossibilidade de estabelecer contactos telefónicos têm de se deslocar de carro para tentar encontrar bombeiros, professores, auxiliares e no caso de hoje de manhã, o coveiro.
O funcionário do cemitério acabou por ser localizado a meio da manhã, confirmando-se a realização do funeral, sendo que os habitantes foram alertados da cerimónia por conversas e recados que foram sendo transmitidos de morador para morador.
A antena de telecomunicações instalada na freguesia não garante desde a semana passada as telecomunicações na localidade, que carece também do fornecimento de eletricidade.
As refeições são confecionadas, pelos habitantes, em fogões a gás ou através de geradores elétricos de pequenas dimensões.
Hoje, segundo o autarca local, é possÃvel que venha a ser instalado um gerador industrial capaz de fornecer eletricidade à s casas junto à Igreja de Santo António, no centro da freguesia.
Os telhados das casas estão danificados e milhares de árvores estão cortadas ao meio, sendo que em muitos casos a força dos ventos levantou pinheiros e eucaliptos pelas raÃzes.
Não muito longe do cemitério, a cobertura de metal de uma paragem de camionetas cimentada ao chão foi projetada para o outro lado da estrada indo embater no muro de uma casa.
Muitos postes de eletricidade estão derrubados.
“Há aqui trabalho para muito tempo”, desabafou AnÃbal Pereira frisando que a escola básica reabriu e que se vai realizar o primeiro funeral depois da tempestade.
As bátegas de chuva nesta região caem desde as 09:30 da manhã.
Não há vento mas a temperatura desceu.
*** Por Pedro Sousa Pereira (texto), Miguel Lopes (fotos) e Hugo Fragata (vÃdeo), da agência Lusa ***
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