
Roma, 27 fev 2023 (Lusa) — A nova secretária do Partido Democrata italiano, Elly Schlein, vencedora no domingo das primárias do partido progressista, apontou hoje como prioridade unir esta formação antes das próximas eleições, as mais importantes das quais serão as europeias de 2024.
“Esforçar-nos-emos por trabalhar pela máxima unidade e para cuidar da história e dos valores do Partido Democrata (PD) para o futuro”, afirmou hoje a nova lÃder – a primeira mulher a liderar a principal formação progressista de Itália, herdeira do extinto Partido Comunista italiano.
Schlein deslocou-se hoje à sede do partido, na romana Via del Nazareno, para proceder à transferência de poderes com o secretário cessante, o ex-primeiro-ministro Enrico Letta, de quem recebeu uma romã de cerâmica, “sÃmbolo de prosperidade”.
A nova lÃder do PD, representante da corrente mais esquerdista e contestatária, impôs-se no domingo nas primárias do partido ao presidente da região de Emilia Romagna (norte), Stefano Bonaccini, de quem foi vice-presidente até outubro passado.
Agora, prepara-se para reformar, com uma viragem à esquerda, este partido em plena refundação depois do revés das eleições gerais de setembro em que acabou na oposição — como lÃder -, após uma década em que esteve quase sempre no poder.
O primeiro passo será a eleição da direção, com pessoas leais à nova lÃder, uma missão que passará pela assembleia do partido agendada para 12 de março.
Nos próximos dias, reunirá a sua equipa para analisar os primeiros passos do calendário eleitoral, que inclui as eleições autárquicas de 14 e 15 de maio, em 591 municÃpios de todo o paÃs, e as do Parlamento Europeu, em 2024.
Neste último escrutÃnio, a nova secretária e deputada do PD competirá pela primeira vez a nÃvel nacional com outra mulher, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, lÃder da coligação de direita e extrema-direita no poder.
“As europeias serão fundamentais”, resumiu.
Schlein anunciou que vai abrir o processo de filiação no PD e que trabalhará “pela unidade” do partido, quebrada nos últimos anos por várias cisões, sobretudo da ala mais esquerdista em desacordo com a deriva da anterior direção.
“Trabalharemos com a responsabilidade de manter junta esta comunidade democrata, para cuidar da sua história e valores para o futuro, perante desafios cruciais para o paÃs e a Europa, com uma linha polÃtica clara e compreensÃvel”, afirmou.
Elly Schlein, de 37 anos e nascida na SuÃça, assumiu assim o controlo do PD, um partido ao qual regressou recentemente após quase sete anos de ausência, depois de o ter abandonado em 2015, em desacordo com as polÃticas liberais do então lÃder, Matteo Renzi.
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