
Maputo, 17 jun 2026 (Lusa) – A economia moçambicana cresceu o equivalente a 0,1% no primeiro trimestre de 2026, o segundo consecutivo de crescimento após um ano de quedas, anunciou hoje o Instituto Nacional de EstatÃstica (INE), nas contas trimestrais.
De acordo com o documento, esse ligeiro crescimento, 0,1% do Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm), que compara com a contração de 2,9% no primeiro trimestre de 2025, foi impulsionado pelo setor terciário, que cresceu 3,5%, “induzido” pelo ramo de Hotéis e Restaurantes com variação de 5,1%, seguido pelo ramo de Comércio e Serviços de Reparação com variação de 4,5%.
O ramo de Transportes, Armazenagem e Atividades auxiliares dos transportes e Informação e Comunicações teve variação de 3,9% e o ramo dos Serviços financeiros teve variação de 3,1%.
Seguiu-se o setor secundário com uma variação positiva de 3,2%, enquanto o setor primário apresentou uma tendência contrária, recuando 4,8%, “com maior destaque para o ramo da Indústria de Extração Mineira com variação de menos 21,6%”.
O Governo moçambicano tinha admitido anteriormente que a economia teria crescido 0,52% até março, o segundo trimestre consecutivo de recuperação económica após a recessão provocada pela crise que se seguiu às eleições gerais de outubro de 2024.
Nos documentos da execução orçamental do primeiro trimestre, o Governo referia que, “em linha com a desaceleração do crescimento económico global, o abrandamento do comércio internacional e a persistência de condições financeiras restritivas”, a economia nacional “apresentou sinais de recuperação gradual, embora ainda num contexto de elevada vulnerabilidade”.
Recordava que, após a contração de 1,89% observada até ao terceiro trimestre de 2025, a economia moçambicana “evidenciou uma melhoria”, tendo a variação acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) fechado em -0,52% no final do ano.
“Apesar deste cenário, e de acordo com o FMI, a economia nacional evidenciou sinais de recuperação previsional de crescimento do PIB de 0,52% para o primeiro trimestre de 2026”, referia o documento do Governo.
“Este desempenho reflete uma dualidade macroeconómica: por um lado, verifica-se uma melhoria relativa das condições externas, traduzida na moderação da inflação e no reforço da posição externa; por outro, persistem fragilidades na atividade produtiva interna, condicionadas por choques climáticos, constrangimentos logÃsticos e limitações estruturais da economia”, acrescentava.
Sublinhava ainda que, a nÃvel interno, a atividade económica “foi particularmente afetada por eventos climáticos extremos que comprometeram a produção agrÃcola, degradaram infraestruturas e agravaram os custos de transporte e distribuição, com impactos diferenciados” entre várias regiões do paÃs.
Este cenário, aponta o Governo, “traduz uma recuperação económica ainda frágil, dependente tanto da evolução do contexto externo como da eficácia das polÃticas internas de estabilização e estÃmulo à produção”.
A economia moçambicana recuperou no último trimestre de 2025, invertendo quatro trimestres consecutivos de quebras, ao crescer 4,67%, mas fechou o ano com uma queda homóloga de 0,52%, segundo o relatório anterior das Contas Nacionais Trimestrais, de fevereiro.
O INE referia então que o PIBpm apresentou uma variação positiva de 4,67% no quarto trimestre de 2025, face ao mesmo perÃodo de 2024, acrescentando assim que “ao longo do ano registou-se melhoria económica, perfazendo um acumulado de -0,52%”.
A economia moçambicana inverteu, ainda assim, um ano de quebras, desde os violentos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, que provocaram em mais de cinco meses 400 mortos e destruição de empresas e infraestruturas públicas
No terceiro trimestre de 2025, segundo o INE, o PIBpm recuou 0,85%, quando comparado ao mesmo perÃodo do ano 2024. Foram ainda registadas quedas no primeiro e segundo trimestres de 2025, respetivamente 3,92% e 0,94%, bem como no quarto trimestre de 2024, de 5,68%.
O último perÃodo anterior de crescimento económico registou-se antes das eleições, marcadas pela forte contestação social que se seguiu, no terceiro trimestre de 2024, de 5,58%.
Para 2025, o Governo previa um crescimento económico de 2,9%, já revisto em baixa, após 1,9% em 2024.
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