
Pequim, 15 jul 2019 (Lusa) – O produto interno bruto (PIB) da China cresceu 6,2% no segundo trimestre, menos 0,5 pontos percentuais face ao mesmo perÃodo de 2018, confirmando o abrandamento da segunda maior economia mundial, face à s disputas comerciais com Washington.
Entre abril e junho, a economia chinesa cresceu menos duas décimas do que no trimestre anterior, segundo os dados oficiais hoje divulgados.
“A guerra comercial está a ter um enorme impacto na economia chinesa”, considerou Edward Moya, da financeira OANDA, num relatório. “À medida que as negociações comerciais estagnam, provavelmente a economia da China continuará a abrandar”, acrescentou.
O abrandamento sucede apesar dos estÃmulos lançados por Pequim, incluindo reduzir as restrições no acesso ao crédito e aumentar a despesa pública, visando evitar a destruição de empregos, o que poderia resultar em instabilidade social.
O regime de partido único assenta num contrato social entre o Partido Comunista e o povo chinês, no qual a elite dominante mantém a autoridade e privilégios indisputados e, em troca, assegura o crescimento económico e melhoria constante dos padrões de vida.
A economia enfrenta um “ambiente complexo, interna e externamente”, considerou o Gabinete Nacional de EstatÃsticas chinês, em comunicado.
A atividade económica da China tem repercussões globais.
O paÃs é o maior cliente de vários bens e matérias primas, constituindo um importante mercado para produtos alimentares, energia ou tecnologia. O mercado chinês representou 26,8% das exportações brasileiras, em 2018, e é de longe o maior destino do petróleo angolano, por exemplo.
As vendas a retalho aumentaram 8,4%, no conjunto da primeira metade do ano, com o ritmo de crescimento a abrandar uma décima no segundo trimestre, face aos três meses anteriores.
O ritmo de crescimento da produção industrial abrandou para 6% no primeiro semestre, com uma queda de 0,1% entre abril e junho, em relação ao primeiro trimestre.
O investimento em fábricas, imóveis e outros ativos fixos aumentou 5,8%, no primeiro semestre do ano – uma subida de 0,2%, face ao perÃodo entre janeiro e maio.
O crescimento do crédito acelerou para nÃveis “perigosamente altos”, considerou Iris Pang, da consultora ING, acrescentando que sem os estÃmulos a economia “estaria a deteriorar-se” de forma “preocupante”.
Em junho, as exportações chinesas para os Estados Unidos caÃram 7,8%, em termos homólogos.
Os governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um, numa guerra comercial que ameaça a economia mundial.
Em causa está a polÃtica de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do paÃs em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.
Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsÃdios à s empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.
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