
Nairobi, Quénia, 09 ago 2026 (Lusa) – O vírus Ébola já matou mais de 1.800 pessoas desde que o surto foi declarado na República Democrática do Congo (RDCongo), em maio, segundo os últimos dados divulgados pelo Governo congolês.
De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Comunicação congolês com dados recolhidos até quinta-feira, o número de mortos subiu para 1.887, mais 37 mortes confirmadas do que as anunciadas na sexta-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
De acordo com o Governo congolês, o número de pessoas contagiadas também subiu para 4.120, sendo que na sexta-feira era de 4.053.
A taxa de letalidade [proporção entre o número de mortes por uma doença e o número total de doentes que sofrem dessa doença, ao longo de um determinado período de tempo] aumentou para 45,8%, uma vez que na sexta-feira estava nos 45,7%, segundo o Governo.
Segundo o Ministério da Comunicação Congolês, 721 doentes estão em isolamento ou hospitalizados e 810 pessoas recuperaram da doença, enquanto a taxa de rastreio de contactos é de 83,7%.
Até hoje, cinco províncias congolesas foram afectadas pelo surto de ébola: Ituri (epicentro do surto), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uélé (leste), bem como Tshopo (centro-norte), segundo o Governo.
“A epidemia continua concentrada em 53 zonas de saúde em cinco províncias, tendo Ituri como principal epicentro (86,5% dos casos acumulados)”, indicou o ministério congolês.
Na sexta-feira, a atual epidemia tornou-se o segundo maior surto da história registada e o maior em termos de infecções na RDCongo, ultrapassando o que também ocorreu no leste do país entre 2018 e 2020, que provocou 2.299 mortes e 3.481 casos, segundo a agência de notícias espanhola Efe.
De acordo coma mesma fonte, esta é a décima sétima epidemia a afetar a RDCongo e tem a taxa de crescimento de infeções mais rápida registada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A epidemia atual, declarada a 15 de maio em Ituri (província que faz fronteira com o Sudão do Sul e o Uganda), ainda está longe de ser a pior da história, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016 e causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções, segundo a Efe.
A epidemia corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O vírus ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
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