
Kinshasa, 22 jul 2026 (Lusa) — Mais de mil pessoas morreram devido à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), segundo a principal autoridade de saúde pública do continente africano.
Durante uma cimeira sobre saúde, realizada hoje no Gana, o diretor-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, anunciou que foram, para já, confirmadas 1.031 mortes.
“São pessoas que estão a morrer. Estão a morrer porque não temos vacinas, não temos medicamentos e não temos financiamento”, afirmou.
A mais recente atualização do Ministério da Saúde da RDCongo indicava que, até segunda-feira, tinham sido registados 2.473 casos durante a epidemia.
Pelo menos 737 doentes encontravam-se em isolamento ou hospitalizados.
Segundo o Africa CDC, menos de 9% dos contactos de doentes confirmados que deveriam estar a ser rastreados encontram-se atualmente sob vigilância, muito abaixo do nível necessário para conter o surto. Mais de 60% das mortes ocorrem nas comunidades antes de os doentes receberem cuidados de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que a verdadeira dimensão do surto poderá ser entre duas e quatro vezes superior aos números oficiais. Algumas comunidades no epicentro da epidemia continuam também de difícil acesso, sobretudo devido aos combates envolvendo grupos rebeldes.
Segundo o mesmo responsável, estes atrasos levaram alguns doentes a abandonar as unidades de saúde antes de serem diagnosticados, aumentando o risco de novas transmissões.
Pierre Akilimali, responsável pela gestão operacional da resposta ao Ébola no Instituto Nacional de Saúde Pública da RDC, afirmou que o elevado número de mortes na comunidade indica que muitas infeções não estão a ser detetadas nem isoladas atempadamente, permitindo que o vírus continue a propagar-se.
O surto declarado em 15 de maio, que evoluiu para epidemia, é diferente da maioria dos anteriores, porque o vírus responsável (Bundibugyo) não tem vacinas nem tratamentos aprovados.
A epidemia também matou mais pessoas a um ritmo mais acelerado do que qualquer outro surto registado, incluindo o de 2013-2016, considerado o pior da história, com mais de 11.000 mortos em pelo menos 28.000 casos, mas em oito meses.
O Ébola é uma doença rara, mas altamente contagioso e pode ser contraído através de fluidos corporais, como vómitos, sangue ou sémen. A doença que o provoca é grave e frequentemente fatal.
As autoridades alertaram ainda que 80% dos novos casos surgiram através de cadeias de transmissão desconhecidas, um sinal de que a epidemia se está a espalhar mais rapidamente do que as autoridades de saúde conseguem seguir, mesmo com o aumento da resposta na província de Ituri, o epicentro da epidemia, bem como em outras quatro províncias onde foram registados casos.
Os ataques a unidades de saúde e a equipas de resposta também obrigaram os trabalhadores da linha da frente e os grupos de ajuda humanitária a abandonar algumas áreas. Alguns profissionais de saúde entraram em greve, queixando-se de que não recebem salários desde o início da epidemia.
No mês passado, investigadores dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recorreram a modelos computacionais para estimar a evolução do surto e concluíram que este poderá aproximar-se da dimensão da epidemia da África Ocidental de 2014-2016.
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