Ébola: Cinco doentes já recuperaram na República Democrática do Congo – OMS

Bunia, República Democrática do Congo, 31 mai 2026 (Lusa) — Cinco doentes recuperaram da infeção por uma estirpe rara de ébola, anunciou hoje o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) durante uma visita a Bunia, epicentro do surto que atinge a República Democrática do Congo.

“Quatro pessoas vão receber alta hoje e uma teve alta anteontem [sexta-feira]”, adiantou Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a inauguração de um novo centro de tratamento do ébola em Bunia, capital da província de Ituri.

O responsável da organização das Nações Unidas para a área da Saúde reconheceu que ainda estão a ser desenvolvidos tratamentos e vacinas para o vírus Bundibugyo, que está a provocar o surto, mas salientou que isso “não significa que as pessoas não possam recuperar do ébola”.

Na sexta-feira, a OMS avançou que um paciente recuperou da infeção, a primeira documentada de um doente com Bundibugyo confirmado durante o atual surto.

Apesar de uma melhor organização dos serviços de saúde, o vírus continua a espalhar-se mais rapidamente do que a resposta das autoridades, alertou no sábado a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), apelando ao alargamento imediata dos testes, ao envio rápido de profissionais de saúde e ao acesso contínuo a material médico.

“A mensagem que gostaríamos de partilhar com a comunidade de Ituri é que há esperança”, salientou Pierre Akilimali, gestor de incidentes do Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, durante a inauguração do novo centro de tratamento.

Com o tratamento sintomático que “estamos a oferecer atualmente, estamos a ver os doentes a recuperar”, acrescentou Pierre Akilimali.

O vírus que causa o ébola, uma febre hemorrágica altamente contagiosa, já foi detetado em três províncias e no vizinho Uganda, onde foram confirmados dois novos casos na sexta-feira, elevando o número total de casos confirmados no país da África Oriental para nove.

Na República Democrática do Congo foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pelo Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana.

Ituri concentra a grande maioria dos casos confirmados, uma província com serviços públicos praticamente inexistentes nas zonas rurais e onde se verifica a presença de grupos armados, que atacam civis regularmente.

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