Drogas levam quase 18 mil pessoas aos serviços de saúde em seis meses em Moçambique

Maputo, 24 set 2026 (Lusa) – Pelo menos 17.783 pessoas procuraram atendimento nos serviços de saúde moçambicanos devido ao consumo de drogas e outras substâncias psicotrópicas no primeiro semestre, um aumento de 58,6% face ao período homólogo, anunciaram hoje as autoridades nacionais.

Na conferência de imprensa para divulgação do Relatório sobre a Situação de Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas Registado no País no I Semestre de 2026, em Maputo, Salma Iuraimadam, representante do Ministério da Saúde, disse que, nesse período, “foram atendidos um total de 17.783 pacientes com perturbações mentais e do comportamento decorrente do consumo de substâncias psicoativas”, o que representa “cerca de 58% de subida em relação ao mesmo período no ano passado”.

No evento promovido pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), a responsável explicou que as principais causas de procura dos serviços de psiquiatria e saúde mental continuam a ser os consumos de múltiplas substâncias e de álcool, com 7.372 e 5.469 casos, respetivamente, seguidas dos canabinoides, com 1.502 casos, e dos opióides, com 1.100 casos”.

Salma Iuraimadam disse que a faixa etária entre os 21 e os 35 anos continua a concentrar o maior número de casos.

“Trata-se da faixa etária com uma maior produção escolar e laboral”, sublinhou, acrescentando que a cidade de Maputo, capital do país, lidera o número de atendimentos, embora Nampula, Manica e Cabo Delgado apresentem igualmente níveis elevados de consumo de múltiplas substâncias.

Iuraimadam alertou que o “consumo abusivo pode levar a conflitos familiares, ao abandono de responsabilidades e à rutura de laços afetivos”, acrescentando que algumas substâncias podem desencadear depressão, ansiedade severa, ataques de pânico, surtos psicóticos, doenças cardiovasculares e hepáticas.

O chefe do Departamento de Prevenção à Droga do GCPCD, José Bambo, disse que as ações de sensibilização realizadas no primeiro semestre alcançaram mais de 1,38 milhões de beneficiários, sobretudo adolescentes e jovens. Segundo o responsável, foram mobilizados mais de 21 mil ativistas e realizadas mais de 14 mil palestras em escolas e comunidades.

José Bambo adiantou que foram registados 131 crimes relacionados com tráfico e consumo de estupefacientes, contra 75 no mesmo período de 2025.

Os dados apresentados mostram igualmente um aumento do número de processos-crime ligados à droga. O Serviço Nacional de Investigação Criminal registou 418 processos no primeiro semestre deste ano, contra 250 em igual período de 2025, enquanto a Procuradoria-Geral da República tramitou 651 processos, contra 418 anteriormente.

No âmbito do combate ao tráfico, as autoridades anunciaram a apreensão de cerca de uma tonelada de canábis, além de heroína, cocaína e metanfetaminas.

Segundo José Bambo, as investigações indicam que a heroína apreendida teve origem principalmente na Índia e no Paquistão, enquanto a cocaína estava associada a rotas provenientes da América Latina, particularmente do Brasil. O responsável referiu que os traficantes estão a recorrer a formas cada vez mais sofisticadas de ocultação das drogas.

O relatório apresentando no evento aponta igualmente para o agravamento do envolvimento de moçambicanos em crimes relacionados com droga no exterior. O número de cidadãos detidos na diáspora subiu de 42 para 56, sendo o Brasil o país com maior número de casos.

Em Moçambique, 812 pessoas encontravam-se detidas por crimes relacionados com drogas no final do primeiro semestre, contra 844 no período homólogo de 2025.

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