
Santiago do Chile, 26 mai 2024 (Lusa) — A justiça do Chile colocou em prisão preventiva dois homens suspeitos de estarem na origem do incêndio que matou 137 pessoas no inÃcio de fevereiro, no centro-oeste do paÃs.
Numa decisão divulgada no sábado, a juÃza Jeanette Oliva falou de uma “intenção direta de provocar o incêndio e, no mÃnimo, de uma possÃvel intenção” de cometer um ato malicioso causando a morte.
Ignacio Mondaca, um bombeiro do 13º Corpo de Bombeiros da cidade de ValparaÃso, e o Franco Pinto, funcionário da Corporação Nacional Florestal chilena, permanecerão detidos num centro da capital Santiago durante um perÃodo máximo de seis meses.
Oliva acrescentou que Pinto e Mondaca, como oficial florestal e bombeiro voluntário, respetivamente, “manipularam informações relativas à s condições climáticas” que passaram a ser favoráveis, de acordo com a investigação, à rápida propagação do fogo.
A polÃcia tinha anunciado na sexta-feira a detenção dos dois suspeitos, incluindo Mondaca, de 22 anos, que tinha ingressado no corpo de bombeiros há um ano e meio.
O Ministério Público do Chile disse no sábado que “o trabalho investigativo permitiu colocar [Mondaca] em outros seis incêndios anteriores que afetaram a Reserva de Peñuelas”.
O violento incêndio começou a 02 de fevereiro, em quatro focos simultâneos no Parque Natural do Lago Peñuelas, perto da cidade de Viña del Mar, 110 quilómetros a noroeste da capital, Santiago, e espalhou-se rapidamente devido ao forte vento e temperaturas extremas.
A alta densidade populacional em terrenos de difÃcil acesso, somada à seca prolongada no Chile, dificultou as tarefas de extinção das chamas, que atingiram os municÃpios de Quilpué e Villa Alemana.
Pelo menos 137 pessoas morreram, cerca de 16 mil foram afetadas e milhares de casas destruÃdas pelo incêndio que devastou a região turÃstica de ValparaÃso, de acordo com o balanço final das autoridades do Chile.
Na sexta-feira, a ministra do Interior, Carolina Tohá, garantiu que a investigação permitirá elucidar “como uma pessoa que está naquela instituição teve comportamentos deste tipo” e pediu que o caso “não manche a função e o reconhecimento que [o Corpo de Bombeiros] tem na sociedade chilena”.
“Estamos completamente arrasados com o que aconteceu, é um incidente completamente isolado”, disse à imprensa o comandante do 13º Corpo de Bombeiros da cidade de ValparaÃso.
“Protegemos ValparaÃso há mais de 170 anos e não podemos permitir que tais coisas aconteçam”, acrescentou Vicente Maggiolo.
O Presidente chileno, Gabriel Boric, descreveu o incêndio de fevereiro, registado em pleno verão austral, como a “maior tragédia” que o paÃs enfrentou desde o terramoto de 2010, ao qual se seguiu um maremoto, que provocou 500 mortos.
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