Dois sindicatos da PSP exigem ao MAI negociação de “matérias que interessam verdadeiramente”

Lisboa, 12 set 2026 (Lusa) — O Sindicato dos Polícias Portugueses e o Sindicato Nacional da Polícia exigiram hoje ao ministro da Administração Interna para que negoceie “as matérias que interessam verdadeiramente”, considerando que se deve “ultrapassar o tempo perdido provocado” pelo acordo de 2024.

“É tempo de ultrapassarmos o tempo perdido provocado por um acordo – celebrado em 2024, por uma minoria de organizações sindicais da PSP, que representam uma minoria dos polícias -, quanto ao suplemento de risco, que agora prejudica quem mais riscos corre e que um dia terá de ser alterado”, referem os dois sindicatos num comunicado divulgado após uma reunião que mantiveram em conjunto para fazer um ponto de situação dos problemas dos polícias e das negociações com a tutela.

O Sindicato dos Polícias Portugueses (SPP) e o Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) exigem ao ministro da Administração Interna para que encerre este tema do acordo, considerando que “só tem servido de pretexto para desviar atenções de um mau acordo”, e que inicie as negociações com todos os sindicatos representativos da PSP das “matérias que interessam verdadeiramente”.

O SPP e o SINAPOL querem negociar com o Governo a melhoria do desenvolvimento das carreiras, melhoria dos índices remuneratórios e atualização dos suplementos, frisando que a resolução dos principais problemas dos polícias passam pela negociação do Estatuto Profissional da PSP, cumprimento da idade da pré-aposentação, carreira e valorização remuneratória.

“Basta de desculpas, os problemas que afetam os polícias são sérios e muito extensos, pelo que vamos avançar urgentemente para a negociação dos temas que verdadeiramente afetam os polícias, resolvendo urgentemente as matérias que têm servido como desculpa para se desviarem atenções de um mau acordo, mas que não têm contribuído para que os problemas se acumulem”, referem os dois sindicatos que em 2024 não assinaram o acordo com o Governo.

O comunicado dos dois sindicatos surge no dia em que o ministro da Administração Interna convocou os sindicatos da PSP e as associações da GNR para novas reuniões negociais nos dias 17 e 29 de setembro.

Numa nota enviada às redações, o Ministério da Administração Interna (MAI) explicou que a convocatória das novas rondas de negociações com associações e sindicatos foi enviada na sexta-feira, sublinhando que a marcação das reuniões “não foi uma reação aos protestos, foi o cumprimento do calendário que sempre esteve previsto”.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, “sempre disse – inclusive na audição regimental desta semana – que as negociações seriam retomadas em setembro”, lê-se ainda no esclarecimento enviado por este ministério.

Esta semana, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), duas das estruturas que assinaram o acordo, anunciaram um ciclo de protestos conjuntos por considerarem que as promessas de revisão salarial e de carreiras não foram cumpridas.

CMP (RCV) // MLL

Lusa/Fim