
Bissau, 13 dez 2021 (Lusa) — O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional para a Guiné-Bissau disse hoje que a dÃvida pública do paÃs “é a mais alta do mundo” e aconselhou o Governo a adotar medidas de equilÃbrio no próximo Orçamento do Estado.
Em conferência de imprensa sobre a segunda avaliação de um conjunto de metas acordadas com o Governo, visando a retoma do programa de cooperação entre Bissau e o FMI, José Giron considerou que a evolução “é globalmente positiva”, mas alertou para a situação da dÃvida pública.
O ministro das Finanças guineense, João Fadiá, admitiu que o paÃs ultrapassou o limite máximo da dÃvida no âmbito dos critérios de convergência da União Económica e Monetária Oeste Africano (UEMOA) fixados em 70%.
Fadiá afirmou que a dÃvida pública da Guiné-Bissau atualmente é na ordem de 79% do Produto Interno Bruto (PIB), mas acredita que as medidas acordadas com o FMI e plasmadas no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2022 “vão ajudar o paÃs a reduzir gradualmente a divida”.
Já em 2022, o ministro das Finanças espera reduzir em um ponto percentual a dÃvida e em 2026 conta atingir o limite máximo da UEMOA, fazendo situar a dÃvida pública em 70%, disse.
João Fadiá afirmou que ficou acordado com o FMI que as próximas dÃvidas devem ser concessionais, com uma taxa de juro baixo e ainda com um prazo de reembolso alargado.
O chefe da missão do FMI para a Guiné-Bissau, que em março deve voltar a avaliar o desempenho macroeconómico do Governo e saber se existem ou não condições para avançar então para as negociações para assinatura de um programa de cooperação financeira, exortou as autoridades a serem equilibrados na execução do OGE.
Congratulou-se com a aprovação do OGE no parlamento e disse não ser sua missão discutir as polÃticas internas do paÃs, em referência à s crÃticas que os sindicatos da Função Pública fazem ao orçamento, que consideram penalizador para os trabalhadores.
“O FMI é conselheiro do Governo. Sabemos que o orçamento é equilibrado, conforme a nossa recomendação, porque deixa margem para pagar salários, juros da dÃvida e ainda fazer investimento no paÃs”, notou José Giron.
O ministro das Finanças guineense enalteceu o facto de o FMI ter constatado “evolução positiva” do desempenho macroeconómico do paÃs, o que disse ser fruto de “sacrifÃcios consentidos”, mas também pelo facto de os salários da Função Pública terem sido pagos em 2021.
“É por esta razão que a avaliação do FMI é positiva, como já tinha sido em setembro”, considerou João Fadiá.
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