
 Luanda, 01 mai 2024 (Lusa) — O stock da dÃvida pública angolana expresso em dólares aumentou cerca 11,46% em 2023, atingindo um máximo de 80,61 mil milhões de dólares (75,46 mil milhões de euros), o que representa mais de 88% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o relatório anual do Banco Nacional de Angola, datado de 30 de abril e consultado hoje pela Lusa, o aumento do stock da divida depois de dois anos consecutivos de queda reflete essencialmente a evolução cambial desfavorável.
A dÃvida pública angolana compreende o serviço da dÃvida com bancos, instituições financeiras multilaterais e bilaterais locais e internacionais.
O stock da dÃvida governamental fixou-se em 53,08 biliões de kwanzas (59,53 mil milhões de euros, correspondente a 84% do PIB), um aumento de 56%, resultante do comportamento das componentes externa e interna.
A dÃvida externa, que representa 74,10% do total, somou 39,33 biliões de kwanzas (44,10 mil milhões de euros), um aumento de 63% justificado essencialmente pela depreciação do kwanza face ao dólar.
A dÃvida pública externa inclui financiamentos de agências multilaterais, governos estrangeiros e agências bilaterais, bancos comerciais e outras instituições financeiras e fornecedores privados.
A dÃvida interna registou um stock de 13,75 biliões de kwanzas (15,41 mil milhões de euros), 37,5% acima do ano anterior, “devido à sobreposição da emissão, face à s amortizações, bem como pela valorização cambial dos tÃtulos indexados e expressos em moeda estrangeira”, indica o relatório do BNA.
A dÃvida interna compreende à dÃvida titulada (bilhetes e obrigações do tesouro), contratos de mútuo e os atrasados e passivos de exercÃcios orçamentais anteriores.
A dÃvida das empresas públicas registou um stock de 2,55 biliões de kwanzas (2,8 mil milhões de euros) face aos 2,30 biliões de kwanzas do ano anterior (2,6 mil milhões de euros), dos quais 95,13% são da petrolÃfera estatal Sonangol.
“Este aumento reflete, principalmente, a depreciação do kwanza de cerca de 39,23% face ao dólar norte-americano”, justifica o documento.
O Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2024, prevê entre outras medidas, a redução do rácio da dÃvida pública para 69,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo as nacionais citadas no relatório do BNA, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou para 0,9% em 2023, impulsionada pela contração da atividade petrolÃfera em 2,4 e pela desaceleração do setor não petrolÃfero, que cresceu 2% face aos 4% de 2022.
Entre os setores que registaram crescimento destacam-se a extração de diamantes, eletricidade e água, serviços Imobiliários, pescas, agropecuária e silvicultura e comércio, que registaram taxas de crescimento acima dos 2,5%.
O regresso do setor petrolÃfero e gás ao quadrante negativo é justificado no relatório do BNA pelo recuo quer da quantidade produzida de petróleo bruto (-3,30%), bem como de gás natural liquefeito (-8,74%).
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