
Luanda, 20 jul 2026 (Lusa) — A dÃvida governamental angolana aumentou 9,12% no primeiro semestre, face a dezembro do ano passado, para 72 mil milhões de dólares (61 mil milhões de euros), segundo dados hoje apresentados em Luanda.
O balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) foi hoje apresentado no Museu da Moeda pelo diretor-geral da Unidade de Gestão da DÃvida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira.
O crescimento da dÃvida explica-se sobretudo pelas emissões de Eurobonds, disse o responsável, sublinhando que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro. Transportes e energia estão entre os setores que mais consomem financiamento.
Do total, a dÃvida externa representava 50,91 mil milhões de dólares (43,4 mil milhões de euros), mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dÃvida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros).
O endividamento lÃquido executado no semestre, no valor de 4.327,1 mil milhões de kwanzas (quatro mil milhões de euros), excedeu em 5,2% o limite programado no PAE, um desvio de 214,7 mil milhões de kwanzas (cerca de 200 milhões de euros) que Dorivaldo Teixeira desvalorizou, já que deverá ser absorvido com as amortizações do segundo semestre.
As tensões geopolÃticas, nomeadamente a guerra no Irão, provocaram aumentos na cotação do petróleo, principal produto de exportação angolano, fazendo subir o preço por barril, mas os ganhos foram limitados por constrangimentos na produção.
Ainda assim, a escalada dos preços no mercado petrolÃfero aliada à diminuição da perceção do risco, beneficiou a dÃvida angolana nos mercados externos, permitindo ao Estado refinanciar-se a taxas mais favoráveis do que nos últimos anos.
Angola regressou em março ao mercado internacional de capitais e voltou a emitir em maio, mobilizando cerca de quatro mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) em Eurobonds — 2,5 mil milhões na primeira operação e 1,5 mil milhões na segunda, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, na sessão de abertura.
As operações incluÃram a recompra antecipada de obrigações no valor total de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de 1.020 milhões de euros), para aliviar a concentração de amortizações em 2028 e 2029, acrescentou.
No semestre, as emissões e desembolsos totalizaram 9,9 mil biliões de kwanzas (9,3 mil milhões de euros) e as amortizações efetivas 5,6 biliões milhões de kwanzas (5,2 mil milhões de euros).
Já a dÃvida garantida por petróleo recuou de 7,37 mil milhões de dólares (6,3 mil milhões de euros) no final de 2025 para 6,83 mil milhões (5,8 mil milhões de euros) em junho, destacou o governante, para quem “a sustentabilidade das finanças públicas não pode depender de forma permanente da evolução de uma única matéria-prima”.
Ottoniel dos Santos advertiu, porém, que o peso do serviço da dÃvida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental, afirmando que o trabalho deve continuar “sem triunfalismos”.
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