
Bucareste e Budapeste, 24 jul 2023 (Lusa) — Os embaixadores húngaros em Bucareste e Bratislava foram convocados hoje pelos governos da Roménia e Eslováquia, depois de um discurso do primeiro-ministro da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orban, em que se ingeriu na polÃtica interna destes Estados.
Sábado, na região romena da Transilvânia, onde vive uma importante minoria húngara, Orbán prometeu lutar contra as ideias federalistas na União Europeia e fez alusões irónicas e crÃticas à s autoridades romenas.
Foi o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, que anunciou a convocação do embaixador húngaro em Bucareste.
Szijjártó comentou, na rede social Facebook, que a reunião no Ministério dos Negócios Estrangeiros romeno foi sossegada e cortês, reiterando o seu desejo de manter um ambiente de respeito mútuo na relação bilateral.
Orbán disse que o primeiro-ministro romeno, o social-democrata Marcel Ciolacu, que conheceu recentemente em Bucareste, já era o 20.º chefe de governo romeno que conhecia, desde que assumiu o poder em Budapeste, em 2010.
O primeiro-ministro húngaro, de formam irónica, acrescentou: “Talvez a Roménia funcione à 20.ª tentativa”.
Orban criticou o Ministério dos Negócios Estrangeiros romeno, por este lhe ter indicado por escrito os termos que não deveria abordar no seu discurso, como sÃmbolos nacionais e direitos das minorias.
O discurso de Orban gerou mal-estar na Roménia, onde a imprensa e polÃticos de orientações diferentes consideraram que ridicularizou o governo romeno perante representantes da minoria húngara.
A presença de milhão e meio de cidadãos de ascendência húngara na Roménia, em especial na Transilvânia, tem dificultado as relações entre Budapeste e Bucareste, devido a diferenças sobre a proteção dos direitos culturais, linguÃsticos e polÃticos da minoria húngara.
A Eslováquia também convocou hoje o embaixador húngaro em Bratislava para protestar por outra passagem do mesmo discurso, em que Orbán qualifica este paÃs como uma “região separada” do antigo reino húngaro.
Na Eslováquia vive uma minoria húngara com 460 mil pessoas, em particular na parte sul do paÃs.
No domingo tinha sido o governo da República Checa a protestar por outras declarações de Orban, crÃticas da sua polÃtica europeia, que Praga qualificou de “absurda”.
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