
Lisboa, 05 nov 2025 (Lusa) — Um grupo de dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que integra o Governo de iniciativa presidencial convidou hoje o presidente do partido, Domingos Simões Pereira, a afastar-se da liderança.
O grupo é composto por dirigentes do PAIGC que decidiram, contra a vontade do partido, integrar o atual Governo de iniciativa presidencial, liderado pelo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló.
O desafio ao lÃder do partido foi feito hoje numa conferência de imprensa, em Bissau, transmitida nas redes sociais, na qual o grupo contestou a forma como a direção do PAIGC decidiu apoiar à candidatura de Fernando Dias da Costa para a presidência da Guiné-Bissau.
Na conferência de imprensa, José Carlos Esteves, atual ministro das Obras Públicas, convidou o lÃder do partido, Domingos Simões Pereira, a se afastar da direção “para permitir que o PAIGC respire”.
Em nome do grupo, integrado entre outros por Carlos Pinto Pereira, ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, José Carlos Esteves observou que com o auto afastamento de Simões Pereira seria possÃvel organizar novas eleições internas no PAIGC, a seguir à s eleições legislativas e presidenciais do próximo dia 23.
“Domingos Simões Pereira deve ter humildade para deixar que outros militantes também peguem no partido (…). Não se compreende que o PAIGC não tenha nenhum militante capaz de se apresentar à s presidenciais ao ponto de, pela primeira vez na sua história, ir apoiar outro candidato”, afirmou Carlos Esteves.
De acordo com Carlos Pinto Pereira, antigo advogado do PAIGC, a votação realizada no Comité Central para a decisão de apoiar Fernando Dias da Costa, lÃder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), mas que se apresenta como candidato independente, é ilegal e contra os estatutos do partido.
Para Pinto Pereira, a votação deveria ser por voto secreto e não por braço no ar.
Pereira afirma que os órgãos internos devem anular a decisão ou os militantes do PAIGC não se devem rever nela.
O histórico partido PAIGC está excluÃdo, pela primeira vez, de eleições na Guiné-Bissau, depois de o Supremo Tribunal de Justiça não ter aceitado a inscrição da candidatura do lÃder Domingos Simões Pereira à s eleições presidenciais.
ExcluÃda foi também, mas das eleições legislativas, que decorrem em simultâneo com as presidenciais, a 23 de novembro, a coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo PAIGC e vencedora das últimas legislativas, em junho de 2023.
Meio ano depois de tomar posse, a coligação foi afastada do poder, com a dissolução da Assembleia Nacional Popular por decisão do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que nomeou um Governo de iniciativa presidencial.
Domingos Simões Pereira foi deposto da presidência da Assembleia e preparava-se para concorrer à Presidência da República, depois de ter perdido as eleições de 2019 para Sissoco Embaló, que está na corrida para um segundo mandato.
Afastado das eleições presidenciais e legislativas, o PAIGC decidiu apoiar a candidatura de Fernando Dias à presidência na República e não tomou posição pública em relação às legislativas, que ditarão a nova composição do parlamento guineense.
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* A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância *
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