
São Tomé, 18 ago 2022 (Lusa) – O presidente da Assembleia Geral da ONU defendeu hoje uma extensão do prazo para a graduação de São Tomé e PrÃncipe à categoria de PaÃs de Rendimento Médio, prevista para 2024, alertando que o processo “será difÃcil”.
“Vindo eu de um pequeno paÃs insular, posso partilhar convosco que será difÃcil, desafiante, porque o processo de graduação não tem em conta as vulnerabilidades dos pequenos Estados”, disse Abdulla Shahid, natural das Maldivas, durante uma visita a São Tomé e PrÃncipe.
A graduação de São Tomé e PrÃncipe da lista de paÃses menos desenvolvidos para a categoria de paÃs de rendimento médio está prevista para dezembro de 2024, segundo anunciou em setembro do ano passado a ministra dos Negócios Estrangeiros, Edite Tenjua.
O paÃs cumpriu pela primeira vez os critérios para ver recomendada a sua graduação em 2018 e, na revisão seguinte, em 2021, recebeu a segunda recomendação, a partir da qual começou o perÃodo de preparação, que tem a duração de três anos, pelo que a graduação está prevista para 2024.
Num encontro hoje com a chefe da diplomacia são-tomense, na capital, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu o compromisso do Governo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela ONU em 2015 e sublinhou que esses esforços se traduziram em ação, “como demonstra claramente a futura graduação” do paÃs.
No entanto, Abdulla Shahid disse apoiar a recomendação de que o perÃodo de preparação para os paÃses cuja graduação foi recomendada em 2021 deve ser de cinco anos, e não três, para “preparar efetivamente uma transição suave que ultrapasse os choques da pandemia”.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros das Maldivas recordou que, quando o seu paÃs se preparava para a graduação como paÃs de rendimento médio, o tsunami de 2004 atingiu as Maldivas, pelo que o Governo pediu uma extensão do prazo para conseguir uma transição suave.
“A pandemia é uma espécie de tsunami, embora tenha atingido o mundo inteiro, por isso penso que é justo”, afirmou.
Ao discursar antes de Shahid no mesmo encontro, a ministra Edite Tenjua disse que o processo de graduação tem sido “um desiderato nacional”, mostrando-se confiante de que São Tomé e PrÃncipe irá concluÃ-lo “no horizonte proposto de 2024”.
“Não é uma rota fácil de seguir, mas devo aqui pontuar o esforço e também o grande apoio que recebemos do sistema das Nações Unidas no sentido de fazer aquilo que nós chamamos uma transição suave”, afirmou a governante.
Shahid comparou também as Maldivas a São Tomé e PrÃncipe no que diz respeito à s alterações climáticas, recordando os danos provocados no paÃs lusófono por fortes chuvadas que destruÃram várias pontes no inÃcio do ano.
Relembrou que as alterações climáticas são um fenómeno global e que “nenhum paÃs pode enfrentá-las sozinho”, manifestando esperança de que na Conferência das Partes (COP27) de 2023 em Sharm El Sheik, no Egito, “os Estados-membros reafirmem o seu compromisso comum” de combatê-las.
Reconheceu o impacto da pandemia de covid-19 na economia de São Tomé e PrÃncipe, “paÃs que registava cerca de 33.400 chegadas de turistas” antes da crise pandémica.
“Vindo de um paÃs onde o turismo é crucial para a economia, reconheço totalmente com o quanto a pandemia foi prejudicial para as economias insulares, mas penso que a pandemia e os seus consequentes impactos adversos foram um alerta para construirmos melhor juntos, mais fortes, mais verdes e mais azuis”, afirmou.
O dirigente das Nações Unidas disse que foi por isso que promoveu, juntamente com a Organização Internacional do Turismo, “pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, um evento de alto nÃvel que explorou o valor de pôr um turismo sustentável e resiliente no coração de uma recuperação inclusiva”.
No encontro de hoje, a ministra Edite Tenjua reconheceu o papel das Nações Unidas como “parceiro fundamental” para o desenvolvimento de São Tomé e PrÃncipe.
“Os desafios que o futuro nos apresenta não são fáceis, mas o desenvolvimento é de facto uma jornada da qual já não há volta”, afirmou.
Recordando o contributo da organização na luta contra a pandemia ou na preparação das eleições legislativas, regionais e locais de 25 de setembro, Tenjua apelou, perante o presidente da Assembleia Geral da ONU, para que os parceiros do desenvolvimento do seu paÃs possam “ajudar a reconstruir São Tomé e PrÃncipe” após as fortes chuvas nos últimos meses.
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