
Washington, 13 abr 2019 (Lusa) — A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu hoje a importância da independência dos bancos centrais, confrontada com os constantes ataques do presidente norte-americano, Donald Trump, ao presidente da Reserva Federal.
Em declarações aos jornalistas, Christine Lagarde sublinhou que os bancos centrais têm mandatos distintos em todo o mundo, mas “a independência tem beneficiado a sua missão ao longo do tempo”: “E espero que continue a fazê-lo”.
A declaração de Lagarde, no decorrer da conferência de imprensa de encerramento do encontro de primavera do FMI e do Banco Mundial, surge depois de confrontada pelos jornalistas com as constantes crÃticas de Donald Trump a Jerome Powell e ao facto de a Reserva Federal norte-americana (Fed) ter decidido subir as taxas de juro no ano passado.
“O que posso dizer-vos é que da parte de todos os governadores dos bancos centrais com quem falei na última semana, havia uma preocupação partilhada sobre três princÃpios”, adiantou.
O primeiro tem a ver com a prestação de contas e a forma como têm de informar os governos dos respetivos paÃses sobre as suas ações, o segundo refere-se à transparência do processo e o terceiro é relativo aos desafios para conseguir uma “comunicação” eficaz de medidas que são frequentemente explicadas com “jargão” especializado.
“Precisam dessas três componentes para serem credÃveis e para continuarem com os seus mandatos”, referiu Lagarde, acrescentando que, apesar de os mandatos serem diferentes em todo o mundo, têm em comum a questão da independência.
Em março, o presidente norte-americano disse que a economia do paÃs teria crescido ainda mais do que em 2018, acima dos 4%, não fosse pela Fed.
Em 2018, a Fed aumentou quatro vezes as taxas de juro por medo de um excessivo aquecimento da economia, depois do “agressivo” estÃmulo fiscal do presidente Trump, com cortes de impostos à s empresas e, em menor escala, aos trabalhadores.
O FMI baixou as suas previsões para os Estados Unidos, cujas previsões de crescimento em 2019 são de 2,3%, duas décimas menos do que o previsto há três meses, e chamou a atenção para os efeitos no crescimento global da luta comercial entre Washington e Pequim.
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