
Kinshasa, 30 mai 2026 (Lusa) — O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu hoje à s comunidades afetadas pelo surto de ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC) para que encontrem soluções adaptadas à s suas circunstâncias especÃficas.
“As comunidades compreendem os seus próprios desafios melhor do que ninguém e, muitas vezes, são as que estão em melhor posição para propor soluções adaptadas à s suas realidades”, afirmou Tedros durante uma conferência de imprensa conjunta com o Governo congolês em Bunia, capital da provÃncia de Ituri, no leste do paÃs, e epicentro do surto, segundo a imprensa local.
Tedros realçou que as autoridades devem dizer à s pessoas o que fazer, mas “também ouvi-las” para conseguir uma resposta mais eficaz ao vÃrus.
O responsável da OMS garantiu ainda querer apoiar os profissionais de saúde no terreno “durante o tempo que for necessário” e estar empenhado em garantir que “outros serviços essenciais, bem como a assistência humanitária, continuem a ser prestados à s comunidades de Ituri e de outras regiões”.
Embora o surto atual seja causado pela estirpe Bundibugyo, que tem uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento especÃfico, Tedros realçou que os cuidados adequados podem superar a doença.
“A doença do vÃrus ébola causada pela estirpe Bundibugyo pode ser vencida com cuidados médicos de qualidade”, sublinhou.
Por seu lado, o ministro da Saúde congolês, Roger Kamba, manifestou otimismo em relação à evolução da epidemia e à eficácia das medidas tomadas.
“O melhor cenário possÃvel é que todas estas intervenções combinadas nos permitam reduzir gradualmente a transmissão nas três provÃncias afetadas [Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul]”, afirmou Kamba, adiantando que Ituri é onde estão quase todos os infetados.
Tedros chegou hoje a Bunia para se reunir com as autoridades locais e provinciais, funcionários da OMS destacados no terreno e visitar instalações de saúde.
As zonas afetadas pelo vÃrus estão envolvidas num conflito de longa data entre o exército congolês e os grupos rebeldes que operam na região, razão pela qual Tedros apelou a um cessar-fogo para facilitar a resposta à epidemia.
A agência de saúde pública da União Africana (UA) anunciou na quinta-feira que foram registadas 246 mortes suspeitas de ébola na RDC, na sequência do 17.º surto no paÃs desde que o vÃrus foi detetado pela primeira vez, em 1976.
O vÃrus também se espalhou para o vizinho Uganda, onde foram confirmados nove casos, incluindo uma morte por um caso importado envolvendo um cidadão congolês, de acordo com a agência de saúde da UA.
Com provável origem em morcegos, o vÃrus ébola causa uma doença infecciosa grave e frequentemente fatal, caracterizada por febres hemorrágicas e rápida propagação, e afeta pessoas e outros mamÃferos.
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