
Lisboa, 30 out 2026 (Lusa) — Uma plataforma de acesso a consultas e alguns exames básicos de saúde, disponível em todas as ilhas de Cabo Verde e parcialmente financiada pela diáspora será apresentada no sábado em Lisboa como uma potencial solução para evitar as deslocações médicas.
A ideia já foi aplicada na área do termalismo em Portugal e foi desenvolvida para proporcionar consultas e exames a quem não pode deslocar-se fisicamente para obter uma consulta.
Apesar de ter um bom rácio de médicos por habitante, a particularidade de ser um arquipélago agrava as dificuldades no acesso à saúde em Cabo Verde, sendo histórica a colaboração na área da saúde com Portugal, para onde todos os anos são transferidos doentes sem resposta cabo-verdiana.
No sábado, durante o Encontro de Quadros Cabo-Verdianos em Portugal, que contará com a presença do primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, a saúde e a transferência de doentes para Portugal será um dos principais temas a debater.
Jaime Branco, reumatologista e diretor emérito da NOVA Medical School, apresentará a plataforma Salus Nexa, desenvolvida por esta instituição de ensino superior, e que classifica de “um projeto de inovação social”.
“Quando nós falamos de inovação, pensamos sempre a inovação tecnológica e eu penso que o que nós vamos propor aqui é, sobretudo, um projeto de inovação social”, disse à Lusa.
Existindo já, e com resultados muito satisfatórios, a telemedicina em Cabo Verde, a inovação deste projeto surge essencialmente do seu propósito de querer ligar a diáspora de Cabo Verde às necessidades de saúde dos cidadãos que continuam a viver em Cabo Verde.
Existem dois milhões de cabo-verdianos e só um quarto é que vive em Cabo Verde, compondo os restantes a diáspora cabo-verdiana.
“O que nos une também cuida. Por estarmos distante dos outros, sejam nossos familiares, sejam nossos amigos, seja a nossa ilha, seja a nossa comunidade, isso não elimina a vontade que nós temos de que essas pessoas estejam bem e de cuidar delas”, explicou.
O projeto que será apresentado no sábado consiste numa plataforma que poderá estar acessível em quiosques, em todas as ilhas de Cabo Verde, e que disponibilizará consultas e até exames de rotina, como dos níveis de açúcar no sangue, da pressão arterial ou provas de função respiratória básicas.
Os dados de saúde são dos utentes e ficam armazenados em servidores localizados em Cabo Verde.
A própria diáspora poderá financiar o projeto ou parcialmente, uma vez que poderá garantir o seu acesso à família, a amigos, à comunidade ou até à sua ilha, consoante os montantes que estejam dispostos a avançar.
Jaime Branco acredita que o turismo, que é o principal motor económico do país, também terá interesse em contribuir para a disponibilização desta plataforma, uma vez que a segurança e o acesso à saúde são aspetos fundamentais na escolha de um destino turístico.
“O cidadão estrangeiro, que está a fazer turismo em Cabo Verde, pode aceder através destes quiosques aos seus médicos assistentes nos países de origem”, disse.
As particularidades da região onde os quiosques com a plataforma forem instalados irão ser levadas em conta, de forma a esta ferramenta ser adaptada às necessidades da população, identificadas pelas autoridades locais.
O projeto Salus Nexa já foi discutido entre os seus promotores e autoridades de Cabo Verde e será agora apresentado neste encontro de quadros cabo-verdianos, que irá decorrer no auditório da Universidade Lusófona, em Lisboa.
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