
Nova Iorque, Estados Unidos, 17 mai 2023 (Lusa) – Dezenas de pais protestaram na terça-feira em frente a várias escolas de Nova Iorque contra a transformação de espaços escolares em áreas de acolhimento de migrantes, situação que os faz “temer pela segurança” dos filhos, disseram à Lusa.
Junto à s instalações de uma escola pública em Williamsburg, um bairro de Brooklyn, vários pais exigiram explicações por parte da direção da instituição de ensino – a quem acusam de ignorar as preocupações das famÃlias -, mas também do autarca de Nova Iorque, Eric Adams, responsável por decretar uma medida de emergência que determinou a abertura de ginásios escolares para receber migrantes.
“A direção da escola mandou-nos uma carta na noite de domingo a informar que o ginásio desta escola ia ser transformado num asilo para migrantes. Eu não tenho nenhum problema com a imigração, mas sim com a segurança da minha filha. Não sabemos quem irá entrar no recinto escolar, não sabemos quem fará a segurança, se haverá polÃcias, não sabemos de nada. Ninguém nos dá respostas”, disse à Lusa um membro da associação de pais da escola PS17, em Williamsburg.
“Como mãe, optei por não falar com a minha filha sobre esta questão, mas ela entende que ficou sem ginásio para praticar atividade fÃsica na escola. Acima de tudo queremos a segurança das nossas crianças”, acrescentou.
Os pais prometeram continuar os protestos pelos próximos dias e planeiam paralisar a escola na sexta-feira.
Alguns pais asseguraram mesmo que irão tirar os filhos da escola até que a situação seja resolvida.
“Não temos nada contra os migrantes, há espaço para todos. Queremos apenas a segurança dos nossos filhos e saber o que irá acontecer a partir de agora. Vou tirar a minha filha desta escola até ter respostas. Ninguém nos diz nada”, afirmou à Lusa Yolanda, mãe de uma adolescente de 14 anos.
Ao redor da escola foram afixados cartazes com mensagens como “Não queremos asilo nas dependências da escola” e “Mantenham as nossas crianças seguras”.
Além disso, várias crianças erguiam cartazes onde se podia ler: “A razão de estarmos a protestar é porque queremos o nosso ginásio de volta e não nos sentimos seguros”; “Os nossos pais não se deviam ter de preocupar sobre a nossa segurança na escola”; “O presidente da câmara não quer saber da nossa segurança, então temos de fazer alguma coisa”.
Esta medida temporária de emergência foi decretada para dar resposta à onda de migrantes que tem chegado a Nova Iorque – mais de 65.000 desde agosto passado -, provenientes da fronteira sul do paÃs.
De acordo com Eric Adams, mais de 4.200 migrantes chegaram à cidade apenas na semana passada, quando foi decretado o fim do tÃtulo 42, norma que permitiu, sob pretexto da pandemia, a expulsão de 2,8 milhões de migrantes nas fronteiras dos Estados Unidos, onde culminam alguns dos principais fluxos migratórios globais.
A autarquia destaca que a chegada de milhares de requerentes de asilo nos últimos meses, muitos deles venezuelanos, criou uma “crise humanitária sem precedentes” que exige “medidas extraordinárias para responder à s necessidades imediatas” dessas pessoas, num momento em que a cidade tem ainda de apoiar a sua população de rua.
Contudo, o uso de escolas e ginásios escolares é contestado não apenas por pais de alunos, mas também por sindicatos de professores, que acusam Eric Adams de proteger os migrantes em detrimento das crianças.
Entre as principais crÃticas está o facto de a autarquia não ter comunicado todos os detalhes das medidas à s pessoas diretamente afetadas pela norma, nem negociado a aplicação da mesma com as direções das escolas.
A abertura de edifÃcios escolares é a mais recente medida relacionada com a onda de migrantes, depois de a cidade ter aberto 140 abrigos de emergência, muitos deles em hotéis – o último no outrora luxuoso Hotel Roosevelt, no centro de Manhattan.
Os hotéis são reservados para famÃlias com crianças, enquanto os jovens ou adultos sem filhos são encaminhados para outros albergues.
A chegada de migrantes com filhos também está a exercer grande pressão sobre o sistema escolar de Nova Iorque, que teve que abrir vagas adicionais em escolas públicas e até criar novas turmas para crianças de lÃngua espanhola, representadas em grande número.
Nova Iorque é a única cidade dos Estados Unidos que, por lei, é obrigada a fornecer um teto para quem necessita, e é o argumento que alguns lÃderes republicanos – como os governadores do Texas, Greg Abbot, ou de Florida, Ron DeSantis – estão a usar para promover a transferência de imigrantes para essa região.
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