
Hong Kong, China, 02 ago 2019 (Lusa) — Oito pessoas, incluindo o ativista pró-independência Andy Chan, foram detidas na quinta-feira em Hong Kong durante uma rusga policial, num momento em que a ex-colónia britânica atravessa uma grave crise polÃtica.
De acordo com um comunicado da polÃcia de Hong Kong, sete homens e uma mulher foram detidos na quinta-feira à noite num edifÃcio industrial em Sha Tin, no norte do território, sob acusações de posse de armas e posse ilegal de explosivos.
Apesar de a nota de imprensa não identificar os suspeitos, fonte policial garantiu à agência France-Presse (AFP) que o ativista pró-independência Andy Chan era um dos oito.
“Andy Chan foi detido e uma bomba de gás foi apreendida” disse a fonte, que pediu para não ser identificada.
Em resposta ao comunicado da polÃcia, centenas de manifestantes reuniram-se à porta de duas esquadras, durante toda a noite, exigindo a libertação dos ativistas.
O Partido Nacional de Hong Kong (HKNP), um pequeno partido pró-independência liderado por Chan, foi proibido pelas autoridades em setembro do ano passado, por motivos de “segurança nacional”.
Foi a primeira vez desde a transferência de soberania de Hong Kong, em 1997, que um partido polÃtico foi dissolvido desta forma.
Apesar de o HKNP ter apenas um punhado de membros, o seu caráter independentista provocou a fúria das autoridades chinesas.
Pouco tempo depois, o executivo de Hong Kong recusou-se a renovar o visto do jornalista do Financial Times Victor Mallet, que tinha convidado Chan para uma conferência no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong (FCC, sigla em inglês).
A proibição do HKNP e a decisão sobre Mallet foram vistos como dois exemplos de um declÃnio das liberdades em Hong Kong.
Hong Kong vive há dois meses um clima de contestação social, com milhares de pessoas nas ruas contra uma proposta de lei que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial chinesa a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.
A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora o que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio “um paÃs, dois sistemas”, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
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