
Madrid, 06 jun 2026 (Lusa) – Uma equipa internacional de astrónomos conseguiu medir a massa de um enorme buraco negro localizado numa galáxia muito distante, que teve origem quando o universo começava a formar-se.
Embora estes tipos de ‘colossos’ supermassivos sejam estudados por devorarem matéria e emitirem enormes quantidades de energia, este caso é diferente para os investigadores porque o buraco negro está ‘adormecido’, ou seja, não está a absorver grandes quantidades de matéria, explicou a Universidade da Cantábria (UC), na localidade espanhola de Santander, em comunicado.
Graças às capacidades do Telescópio Espacial James Webb, a equipa de investigação, liderada por Andrew Newman, da Carnegie Institution for Science (EUA), conseguiu calcular o seu tamanho observando como este afeta as estrelas que orbitam à sua volta.
Os resultados foram publicados na revista Science, noticiou na sexta-feira a agência Europa Press.
“Inicialmente, o modelo foi criado para explicar as supernovas Refsdal e Encore, mas, no final, ajudou-nos a saber que existe um objeto massivo no centro da galáxia”, explicaram os cientistas espanhóis José María Diego e Ana Acebrón, do Grupo de Cosmologia Observacional e Instrumentação do Instituto de Física da Cantábria (IFCA, CSIC-UC).
Durante décadas, os astrónomos localizaram buracos negros gigantes observando objetos muito brilhantes chamados quasares. São como faróis cósmicos alimentados por buracos negros muito ativos.
No entanto, o objeto que foi estudado pertence a uma outra categoria, muito mais difícil de identificar, um buraco negro muito quieto e dormente.
Além disso, sabe-se que o colossal buraco negro reside numa grande galáxia chamada MRG-M0138, que formou a maior parte das suas estrelas há aproximadamente 13 mil milhões de anos.
Atualmente, esta galáxia praticamente não produz novas estrelas, e o seu buraco negro central também permanece inativo.
Até há alguns anos, medir a massa de buracos negros tão distantes era praticamente impossível.
Agora, nesta nova descoberta, a equipa analisou o movimento coletivo das estrelas na galáxia MRG-M0138.
Esta espécie de “dança estelar” permitiu calcular a massa do buraco negro, utilizando dados do Telescópio Espacial James Webb e aproveitando o fenómeno natural conhecido como lente gravitacional, que amplifica a luz de objetos muito distantes e facilita a sua observação.
“Agora podemos detetar este tipo de buracos negros inativos mesmo quando o universo tinha apenas 10 mil milhões de anos”, explicou Newman.
“A combinação da nitidez proporcionada pelo telescópio James Webb e o efeito de ampliação das lentes gravitacionais torna isso possível”, concluiu.
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