
Lisboa, 27 set 2021 (Lusa) — A procura por destinos turÃsticos menos massificados e com maiores preocupações ambientais, bem como uma maior aposta na digitalização são algumas das transformações provocadas pela pandemia de covid-19 no setor do Turismo, que vieram para ficar, segundo algumas associações.
Para assinalar o Dia Mundial do Turismo que se celebra hoje, a Lusa perguntou a algumas das associações mais representativas do setor em Portugal o que mudou de forma permanente devido à pandemia.
“Uma maior aposta na digitalização, a utilização de serviços de entrega ao domicÃlio através da utilização de plataformas, proporcionar experiências integradas que criem memórias e emoções e continuar a privilegiar as medidas de segurança e higiene sanitária, são propostas que podem criar valor acrescentado para os negócios”, destacou a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto.
Já no que diz respeito ao consumidor, esta associação defende que se deve procurar “corresponder à s suas novas exigências de procura, que hoje se centram muito mais em destinos menos massificados e com maiores preocupações ambientais”, acreditando que se trata de “tendências que vieram para ficar, e que por essa razão é preciso adaptar e mudar para evoluir”.
“A crise sanitária que ainda atravessamos deve fazer-nos refletir sobre os efeitos que esta provocou no turismo e também no turista, com novas tendências que, embora impostas pela pandemia, podem perdurar no tempo e criar novas oportunidades para os negócios do alojamento turÃstico e da restauração e bebidas”, apontou Ana Jacinto.
Por seu turno, na perspetiva da vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, falar no que mudou em Portugal no Turismo por causa da pandemia não é possÃvel. “Se mudou em Portugal é porque mudou no mundo”, considerou.
“Na operação – hoteleira e outras – houve com certeza muitas alterações, adaptações e revisões de procedimentos. Muitas destas alterações decorrem do cumprimento de restrições e protocolos e higiossanitários e irão passar”, defendeu a responsável da AHP.
“No entanto, e no meio de várias alterações que têm sido apontadas, destaco duas que me parecem de facto estruturais. A primeira, a aceleração da digitalização dos serviços, incluindo um maior uso da automação, por exemplo em pagamentos e serviços ‘contactless’; experiências virtuais; informação em tempo real, etc. A segunda, a aceleração da busca da Sustentabilidade, nos destinos, nos prestadores de serviços (hotéis, companhias aéreas, etc etc.); no menor impacto ambiental que as escolhas individuais podem ter”, ressalvou Cristina Siza Vieira.
No mesmo sentido, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita que, apesar de se tratar de um setor que vai sempre sofrendo alterações, como o que aconteceu com o surgimento das companhias aéreas ‘low cost’, “o sol e mar vai continuar a ser o sol e mar, os incentivos vão continuar a ser incentivos, os ‘city breaks’ vão continuar a ser os ‘city breaks’, o Golf, etc”.
No entanto, o responsável apontou alterações no que diz respeito às viagens de negócios, provocadas pela pandemia, uma vez que se tornou usual fazer essas mesmas reuniões através de meios informáticos e telemáticos, sem necessidade de deslocações.
“Há vários estudos feitos da mudança de hábitos da população mundial com esta pandemia e a maior parte das pessoas diz que vai gastar mais dinheiro em duas coisas: em saúde – reforçar os seus seguros, fazer seguros — e em viagens, porque isto mostrou que tudo é finito e, de facto, a viagem deixou de ser um luxo, passou a ser uma necessidade”, apontou Francisco Calheiros.
Também a Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT), apesar de considerar que é “ainda um pouco cedo para se perceber mudanças permanentes”, destacou algumas tendências que a pandemia veio reforçar, como “a redução das equipas, a digitalização de processos e as preocupações ambientais, resultantes também de uma nova agenda polÃtica”.
Para o presidente da APHORT, Rodrigo Pinto de Barros, do lado do consumidor “tem-se verificado, por exemplo, um interesse crescente por destinos tradicionalmente menos visitados, com menor densidade populacional, e essa é uma oportunidade que, não só as empresas, mas também as autarquias devem procurar explorar”.
Já no que diz respeito a uma das regiões mais turÃsticas do paÃs, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos TurÃsticos do Algarve (AHETA) realçou que “ofertas turÃsticas pouco consistentes encerraram definitivamente, quer ao nÃvel do alojamento privado e local, quer no que se refere a oferta menos estruturada, como o ‘self-catering’, por exemplo”.
Mais, no Sul do paÃs, “o desemprego aumentou, exponencialmente, e muita mão-de-obra regressou aos paÃses de origem e/ou migrou para outros setores de atividade, criando um problema estrutural de falta de mão-de-obra qualificada no perÃodo de retoma”.
“No Algarve, o número de desempregados inscritos é muito mais elevado do que no perÃodo pré-pandemia (três vezes mais) e falta mão-de-obra para satisfazer as necessidades empresariais”, alertou a AHERTA.
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