
Maputo, 26 out 2021 (Lusa) – A desnutrição crónica continua a afetar 38% das crianças menores de cinco anos em Moçambique, de acordo com o mais recente inquérito do Instituto Nacional de EstatÃstica (INE), consultado hoje pela Lusa.
No suplemento sobre nutrição do Inquérito sobre Orçamento Familiar 2019/20 revela-se ainda que em 16,5% dos casos, a desnutrição é muito grave.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), citados no documento, os nÃveis observados são classificados como “muito altos”.
A desnutrição crónica resulta da falta de alimentos adequados, retarda o crescimento e o desenvolvimento das crianças e aumento o risco de mortalidade infantil – em termos gerais, é um marcador de desigualdades no desenvolvimento humano.
A situação era pior em 2011 e 2013, nota-se no documento.
Houve sobretudo uma redução para quase metade da prevalência em crianças menores de seis meses e houve também uma queda da desnutrição crónica no sul do paÃs.
Ainda assim, o cenário motiva vários alertas.
No inquérito indica-se que a desnutrição crónica ocorre em nÃveis “muito altos” em crianças maiores de 12 meses de idade e afeta mais “as crianças do sexo masculino”.
As crianças que vivem em áreas rurais sofrem mais de desnutrição crónica, em nÃveis “muito altos” em relação à quelas que vivem em áreas urbanas, em nÃveis classificados como “médios”.Â
Crianças que vivem em agregados familiares cujos lÃderes não tem um nÃvel de escolaridade completo ou têm apenas o nÃvel primário, são mais afetadas pela desnutrição crónica.
A distribuição por provÃncia mostra diferenças: todas as provÃncias da zona centro e norte mostram prevalências em nÃveis “muito altos”, sendo a provÃncia de Nampula a que tem a situação mais grave.Â
As provÃncias da zona sul têm prevalências que variam entre os nÃveis “médio” e “baixo” na provÃncia de Maputo.
O suplemento sobre nutrição do Inquérito sobre Orçamento Familiar 2019/20 baseou-se numa amostra de 13.343 agregados familiares.
O INE estima que a população moçambicana ronde os 30 milhões de habitantes, cerca de metade com menos de 18 anos e em que cada mulher tem em média cinco filhos.
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