
Maputo, 03 abr 2026 (Lusa) — Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) afirmaram que vão continuar a ocupar sedes do partido até à saída do líder Ossufo Momade, alegando que a recente reunião de generais não resolveu a crise interna.
“Não tomaram nenhuma decisão tendente a trazer solução do problema que nos diverge”, disse o porta-voz dos desmobilizados da Renamo, João Machava.
O responsável afirmou na quinta-feira, em Maputo, a ausência de decisões concretas nos encontros internos tem contribuído para aprofundar as divisões dentro do partido e afetar a sua imagem pública.
“Está a corroer a imagem do partido Renamo junto à opinião pública nacional e internacional”, afirmou.
Machava criticou também a declaração final da reunião de generais na reserva e reformados do partido, realizada em 26 de março em Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique, considerando que o documento não refletiu posições defendidas por grande parte dos participantes.
“Queremos alertar aos membros a todos os níveis para que se mantenham nas suas posições e que continuem com o processo de conquista das sedes ainda não conquistadas, a níveis provincial, distrital, posto administrativo e de localidade”, disse Machava.
O posicionamento surge uma semana depois de o partido ter anunciado, após aquela reunião de generais e oficiais, a intenção da realização, neste semestre, do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda este ano.
O porta-voz rejeitou ainda a ideia de que a saída de apoiantes do líder das delegações provinciais tenha provocado o encerramento dessas estruturas.
“Não iremos abandonar nenhuma delegação. Aliás, as delegações referidas estão em pleno funcionamento”, afirmou.
O dirigente acrescentou que, nos próximos dias, a autodesignada comissão nacional de gestão deverá enviar orientações às estruturas provinciais sobre os próximos passos, defendendo mudanças na direção máxima do partido.
Machava apelou ainda à mobilização dos membros para preparar a realização de um Conselho Nacional que deverá definir a data de um congresso extraordinário destinado a resolver a atual disputa interna.
Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
“Isto não começou com Ossufo Momade, nem com o próprio presidente Afonso Dhlakama [1953-2018]”, disse o líder partidário, referindo que a Renamo continuou ativa apesar de conflitos internos ao longo dos anos.
Ossufo Momade, de 64 anos, assumiu a presidência da Renamo em 2018, após a morte de Afonso Dhlakama. Nas eleições gerais de outubro de 2024, foi candidato presidencial e obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido.
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