
DÃli, 20 ago 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito Freitas, defendeu hoje que o desenvolvimento deve ser medido pelas oportunidades dadas à s pessoas e não apenas pelo crescimento económico, rendimento nacional ou infraestruturas fÃsicas.
“O seu verdadeiro valor [do desenvolvimento] deve também ser avaliado pela capacidade de ampliar oportunidades, proteger a dignidade humana, reduzir desigualdades e permitir que as pessoas participem de forma significativa na construção do seu próprio futuro”, afirmou.
Bendito Freitas falava na sessão de abertura da quarta consulta da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) sobre o Direito Humano ao desenvolvimento, organizado pela Comissão Intergovernamental da ASEAN para os Direitos Humanos, que decorre hoje e sexta-feira, em DÃli.
“O direito ao desenvolvimento recorda-nos, assim, que as pessoas não são meramente beneficiárias do desenvolvimento. São participantes, parceiras, agentes e impulsionadoras do seu próprio desenvolvimento”, salientou Bendito Freitas.
Na sua intervenção, o chefe da diplomacia timorense recordou que para Timor-Leste aquele princÃpio está alinhado com os valores constitucionais e com a experiência nacional.
“A nossa trajetória desde a restauração da independência ensinou-nos que a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento estão profundamente interligados. A paz, a estabilidade e a segurança criam as condições necessárias para que as sociedades possam investir, educar, inovar e prosperar”, afirmou Bendito Freitas.
Ao mesmo tempo, continuou o ministro, um “desenvolvimento inclusivo, equitativo e sensÃvel à s necessidades da população pode reduzir desigualdades, reforçar a coesão social e contribuir para uma paz duradoura”.
Para Bendito Freitas, aquela relação é cada vez mais importante para a região e para o mundo que “enfrenta desafios cada vez mais interligados”, nomeadamente desigualdades, alterações climáticas, transformação tecnológica, incerteza económica e tensões geopolÃticas.
“Estes desafios recordam-nos que o desenvolvimento sustentável exige não apenas progresso económico, mas também instituições resilientes, inclusão social, dignidade humana e cooperação contÃnua entre as nações”, acrescentou.
A quarta consulta baseia-se na Declaração da ASEAN sobre a Promoção do Direito ao Desenvolvimento e do Direito à Paz para a Concretização de um Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável, adotada em outubro do ano passado pelos lÃderes da organização do sudeste asiático.
A consulta servirá para analisar a implementação do direito ao desenvolvimento e do direito à paz na ASEAN e vai abranger áreas como o ambiente e resiliência climática, desenvolvimento humano, segurança e migração, participação na governação do desenvolvimento e inclusão de grupos em situações vulneráveis e marginalizadas.
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