
Aveiro, 26 fev 2020 (Lusa) – A criação de descontos nas portagens de sete autoestradas para os utilizadores frequentes “é uma medida positiva”, mas insuficiente para resolver os problemas da competitividade no interior do paÃs, disse hoje o presidente da Turismo do Centro.
Pedro Machado, que lidera uma Entidade Regional que agrupa cem municÃpios, a maior parte situados no interior, considera que os descontos anunciados hoje pela ministra Ana Abrunhosa são “por princÃpio uma aspiração da região, e, como tal, medida positiva”, mas adverte para a necessidade de ir mais longe.
“Descontos progressivos e percentuais são por aà mesmo restritivos, podem induzir a visitação, mas estão longe de criar as condições necessárias para a consolidação da procura e resolver os problemas da competitividade”, disse à agência Lusa o presidente da Entidade Regional.
O lÃder da Turismo do Centro considera que “a captação do investimento e a fixação de novas empresas e modelos de negócio carece de medidas mais aprofundadas e de investimento direto do Estado”.
Pedro Machado tem defendido repetidamente nos últimos anos que, para aumentar a “competitividade e a atratividade” do território, é preciso tomar medidas que consigam atrair de facto pessoas e empresas para o interior do paÃs.
“Há muito que defendemos que o valor elevado das portagens é um elemento dissuasor, que afasta os turistas interessados em descobrir o Interior do paÃs e que veio agravar os problemas dos territórios de baixa densidade, constituindo um obstáculo ao desenvolvimento”, disse Machado, em janeiro.
A ministra da Coesão Territorial anunciou hoje, em Macedo de Cavaleiros, descontos nas portagens de sete autoestradas a partir do terceiro trimestre do ano para os “utilizadores frequentes”.
“Vai ser posto em prática no terceiro trimestre deste ano. Estamos a falar de um desconto de quantidade para os veÃculos classe 1 quer classe 2”, afirmou Ana Abrunhosa, que falava à margem de uma visita no âmbito da iniciativa “Governo mais próximo”, no distrito de Bragança.
A governante disse que o modelo a aplicar “já está consensualizado entre os ministérios das Infraestruturas e Habitação, das Finanças e da Coesão Territorial”.
Ana Abrunhosa explicou que se trata de “um desconto de quantidades”, exemplificando que a “partir do oitavo dia até ao 15.º dia haverá um desconto de 20% e a partir do 16.º dia até ao final do mês será um desconto de 40%”.
“Isto é para utilizadores frequentes, isto significa um acesso universal, automático, basta ter o dispositivo eletrónico, não exige qualquer burocracia para se ter acesso”, referiu.
Até agora, acrescentou, a burocracia “impedia muitas pessoas de terem acesso aos descontos que já existiam”.
Nas autoestradas A4, A24, A28, A25, A23, A13 e A22, antigas SCUT, já eram aplicados descontos e estes foram, segundo a ministra, “harmonizados e aumentados”.
Segundo Ana Abrunhosa, estes descontos beneficiam os residentes ou os que se deslocam frequentemente à s regiões, quer em termos de atividade económica ou turÃstica.
Relativamente ao transporte de mercadorias, os descontos vão ser aumentados dos 30% para os 35% de dia e de 50% para 55% à noite.
RBF (PLI) // SSS
Lusa/fim



