
Beja, 31 jan 2026 (Lusa) — As descargas controladas na Barragem do Alqueva foram interrompidas na sexta-feira à tarde, porque o nÃvel de armazenamento foi controlado, mas a operação pode vir a ser retomada nos próximos dias, admitiu hoje o presidente da EDIA.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, José Pedro Salema, indicou que “foi decidido interromper as descargas controladas porque deixaram de ser necessárias para controlar o nÃvel de armazenamento” da albufeira.
“Estivemos cerca de 48 horas em descarga e conseguimos controlar o nÃvel de armazenamento da barragem”, sublinhou, alertando, contudo, tratar-se de “uma situação muito dinâmica”.
A EDIA está a fazer “um acompanhamento constante da situação e, nos próximos dias, poderá vir a ser necessário voltar a fazer descargas a partir de Alqueva”, disse.
Segundo José Pedro Salema, neste acompanhamento que está a ser efetuado, têm que ser avaliados três fatores: “O armazenamento de água, os caudais efluentes [que a barragem está a libertar] e afluentes [que estão a chegar à barragem] e o nÃvel” da água em Alqueva.
“Consoante o equilÃbrio destas três variáveis, então tomamos esta decisão sobre se temos que libertar mais ou menos água”, explicou.
A tÃtulo de exemplo, o presidente da EDIA referiu que, desde a interrupção das descargas, “o nÃvel de armazenamento já subiu hoje uns quantos centÃmetros”.
“Portanto, agora estamos bem, mas temos que monitorizar constantemente e olhar para isto a cada hora”, reforçou.
Nos últimos dias, o paredão de Alqueva foi ‘palco’ de mais visitas de turistas e habitantes da região do que o habitual, que quiseram assistir à quarta operação de descargas controladas na história desta barragem alentejana.
Na sexta—feira de manhã, constatou a Lusa no local, o vaivém de viaturas que passavam e estacionavam no coroamento do paredão não parava.
Os automobilistas saÃam uns minutos, espreitavam pelo paredão, olhavam para os dois gigantes jatos de água vindos da massa de bretão do paredão, tiravam umas fotos e, depois, seguiam caminho.
A operação de descargas controladas no Alqueva foi iniciada à s 16:00 de quarta-feira, através da abertura dos descarregadores de meio fundo, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do NÃvel de Pleno Armazenamento.
Em comunicado divulgado na altura, a EDIA explicou que a operação visou responder “à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva-Pedrógão, que elevaram os nÃveis da albufeira para valores próximos do NÃvel de Pleno Armazenamento”.
“Prevê-se um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s) que, somado ao caudal turbinado, perfaz um caudal lançado total de 1.200m3/s”, informou.
A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que já está a descarregar desde o passado dia 21 para o Rio Guadiana.
“O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m3/s”, revelou a EDIA.
A última operação de descargas controladas nesta barragem, situada entre Portel, no distrito de Évora, e Moura, no distrito de Beja, foi efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).
A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.
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