
BrasÃlia, 02 dez 2020 (Lusa) – Vinte e dois deputados do Partido Democrata norte-americano divulgaram hoje uma carta de solidariedade para com a deputada brasileira TalÃria Petrone, ameaçada de morte, e criticaram as polÃticas “antidemocráticas e xenófobas” do Presidente, Jair Bolsonaro.
“Nós, membros do Congresso dos EUA, solidarizamo-nos com a deputada brasileira TalÃria Petrone. (…) Após receber várias ameaças de morte credÃveis – e de não ter recebido proteção adequada do Governo brasileiro – Petrone foi forçada a esconder-se para garantir a sua segurança e da sua filha de cinco anos”, diz a carta, partilhada pela deputada Susan Wild, na rede social Twitter.
TalÃria Petrone, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), viu-se obrigada a deixar o Rio de Janeiro após ser notificada pela PolÃcia brasileira sobre mensagens de áudio, com planos para a assassinar, e com ameaças de morte.
“É totalmente inaceitável para nós que funcionários eleitos numa democracia estejam incapazes de cumprir os seus mandatos devido a ameaças contra eles e suas famÃlias. Pedimos uma investigação completa e imparcial, a fim de identificar e processar aqueles que são responsáveis pelas ameaças”, frisaram os congressistas.
“É importante notar que a deputada Petrone é, como a maioria dos brasileiros, afro-brasileira. Enquanto os afro-brasileiros representam 54% da população total do paÃs e as mulheres compõem 51,8%, a Câmara dos Deputados do Brasil é composta por apenas 24,3% de afro-brasileiros e 15% mulheres legisladoras. Sabemos muito bem como pode ser difÃcil obter equidade e representação governamental em paÃses com altos nÃveis de disparidade racial e de género”, observa o texto.
Na carta, os democratas responsabilizam Bolsonaro por não garantir segurança à s autoridades eleitas no paÃs e acusam-no de “minar os direitos e a dignidade de amplas faixas da população brasileira”.
“Como Presidente, Bolsonaro continua a minar os direitos dos afro-brasileiros, mulheres, indivÃduos LGBT (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros), povos indÃgenas e outros. (…) É por isso que, desde o inÃcio da Presidência de Bolsonaro, uma ampla coligação de membros do Congresso dos EUA se manifestou contra e trabalhou para conter o elogio consistente da administração de Trump (PR dos EUA) a Bolsonaro”, diz o texto.
Na carta, os congressistas norte-americanos mencionam ainda o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, e ameaças contra o ex-deputado Jean Wyllys, que deixou o paÃs, ambos do PSOL, tal como TalÃria Petrone.
“Continuaremos com o povo brasileiro e opondo-nos à s antidemocráticas e xenófobas ações tomadas pelo Presidente Bolsonaro”, acrescenta a carta, assinada por 22 democratas.
Deputados democratas norte-americanos já vinham criticando várias medidas do Governo Bolsonaro, principalmente em questões de direitos humanos e polÃtica ambiental.
Com a vitória do democrata Joe Biden nas presidenciais deste ano, a ala mais à esquerda do partido deverá pressionar o Presidente eleito nesse sentido.
“Ao eleger Joe Biden, os americanos criaram uma oportunidade para o nosso paÃs de se distanciar das polÃticas autoritárias e racistas abraçadas pelo Governo de Trump. É imperativo que o Governo de Biden e os membros do Congresso defendam os direitos de trabalhadores ao redor do globo, incluindo ativistas afro-brasileiros, protetores de terras indÃgenas e sindicalistas no Brasil”, disse ao jornal Folha de S.Paulo o deputado norte-americano Andy Levin, um dos signatários da carta.
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