
Lisboa, 14 nov 2024 (Lusa) — Delmino Pereira defendeu a necessidade de um apoio governamental especial para a pista, de modo a que a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) possa ‘devolver’ financiamento ao ciclismo de estrada.
“O momento em que nós estávamos a necessitar de fazer um projeto de desenvolvimento desportivo da pista em Portugal coincide com a entrada da troika em Portugal, com uma quebra de financiamento. Nunca tivemos um contrato de desenvolvimento desportivo especÃfico para a pista, que era uma vertente nova. […]. Tivemos que fazer opções e estas opções foram dolorosas, porque tivemos que sacrificar umas vertentes em detrimento de outras”, revelou.
Enquanto analisava o êxito de Portugal na pista, cujo expoente máximo foi o ouro olÃmpico no madison de Iúri Leitão, também prata no omnium, e de Rui Oliveira em Paris2024, Delmino Pereira assumiu que a FPC investiu menos nos seus mandatos no ciclismo de estrada, com essas verbas a serem destinadas à bem-sucedida vertente.
“[São] situações complexas, porque a estrada nunca teve fartura de apoio e foi penalizada, tanto ao nÃvel do desenvolvimento da prática desportiva em Portugal, como ao nÃvel das seleções. Mas era um caminho que tinha de ser efetuado e tinha de ser urgente. Não podÃamos estar três, quatro anos sem fazer ciclismo de pista. O assunto morria logo. Todo o projeto morreria”, justificou.
De acordo com o presidente da FPC, os resultados na vertente alimentavam o investimento e a convicção da sua direção de que estava a tomar a opção correta.
“Continuámos sempre a investir e o próprio Governo começou também depois, aos pouquinhos, a dar mais um pouco de investimento, essencialmente nas seleções e agora mais recentemente o Comité OlÃmpico, sem reservas, apostou forte nas seleções e no projeto de pista”, notou.
Assim, e atendendo aos resultados recentes, “justifica-se, mais do que nunca, definitivamente um contrato-programa especial para a pista”, de modo a que a FPC possa devolver “financiamento ao ciclismo de estrada, que é absolutamente decisivo também para o seu futuro”, sustenta Delmino Pereira.
“É essa a grande demonstração e a evidência que o futuro põe em cima da mesa e que a nova direção e o Governo terão que resolver. É da mais elementar justiça que se faça, efetivamente, um contrato-programa especial para o ciclismo de pista”, insistiu.
Apesar de os pistards portugueses terem ‘clamado’ recentemente por melhores condições, nomeadamente no Velódromo de Sangalhos (Anadia), o lÃder federativo não acha que “a seleção de pista seja a mais prejudicada”.
“Temos seguido sempre uma lógica de probabilidades e a seleção de pista é a que tem mais lógicas de sucesso nas probabilidades. E então, quando nós temos possibilidade de sucesso, nós temos que investir e nós temos sempre investido. […] Não é a seleção mais penalizada”, reforçou.
Pereira concede, contudo, que Portugal não tem “condições para levar as seleções todas” a competir em Mundiais e Europeus das várias vertentes, depois de nesta fase final de mandato terem surgido várias crÃticas à s opções federativas, nomeadamente por levar menos corredores do que as vagas disponÃveis aos Europeus de estrada ou não enviar qualquer representante aos Mundiais de maratona (XCM).
“O meu silêncio é um sinal de grande inquietude, pode ser essa palavra, de grande desconforto, porque eu tenho que estar em silêncio, tenho a obrigação da discrição. Mas obviamente que eu acho injusto. Tento gerir as verbas que nós temos na relação das probabilidades, um pouco da justiça da oportunidade […]. Nós não somos nenhuma potência. Nós somos um paÃs pobre. Tenhamos essa noção. […] A federação está com muitas dificuldades, não digo financeiras, digo de tesouraria, como nunca esteve, e tivemos de fazer opções […]. As crÃticas são injustas”, concluiu.
*** Ana Marques Gonçalves (texto), Hugo Fragata (vÃdeo) e Tiago Petinga (fotos) ***
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