
Maputo, 14 set 2020 (Lusa) – O acentuado défice tecnológico de Moçambique é um travão ao salto necessário para uma “nova pedagogia” que será dependente de meios digitais e terá uma “matriz hÃbrida”, defenderam hoje académicos moçambicanos.
As dificuldades na transição do tradicional ensino presencial para o digital em Moçambique foram tema do debate “Celebrar a Universidade, perspetivar o Ensino Superior no séc. XXI”, promovido hoje através da internet pela Universidade Politécnica de Maputo.
Danilo Barbato, académico e especialista em gestão de recursos financeiros no ensino superior, assinalou que o baixo acesso dos alunos moçambicanos à internet constitui um entrave ao impulso reformador imposto pela nova conjuntura no contexto da pandemia de covid-19.
“Dos cerca de 30 milhões de habitantes de Moçambique, apenas 20% têm internet, o que torna o ensino digital um desafio colossal”, afirmou.
Considerando inevitável o modelo hÃbrido de ensino, que vai assentar na combinação entre a presença na sala de aulas e o ensino virtual, Danilo Barbato defendeu um “consórcio para a inclusão digital”, através da mobilização de escolas, empresas e entidades públicas.
“Temos de nos preparar para um cenário em que o professor vai deixar de ser o núcleo central do processo educativo, porque a capitalização dos meios digitais vai conferir um maior espÃrito autodidata aos estudantes”, referiu.
Por seu turno, o reitor da Universidade de Moçambique (UDM) e filósofo Severino Ngoenha considerou incontornável “uma nova pedagogia” imposta por um maior recurso aos meios digitais no ensino.
“Os meios digitais que os alunos viam como lazer passam a ser meios didáticos e as plataformas digitais serão a nova pedagogia”, frisou Ngoenha.
O reitor defendeu uma adaptação da utilidade do ensino moçambicano à s necessidades do paÃs como forma de tornar os conteúdos letivos relevantes no plano nacional.
“Temos de encontrar um caminho que leve o ensino e a educação a darem resposta aos problemas do paÃs, porque, de outra forma, estaremos a empreender um esforço irrelevante”, afirmou Ngoenha.
Lourenço do Rosário, fundador da Universidade Politécnica, a primeira privada em Moçambique, considerou necessário que as instituições de ensino superior no paÃs voltem a ganhar autonomia para imporem o seu destino, criticando a burocratização pelo Estado na definição dos programas letivos das universidades.
“O diálogo entre pares das universidades sobre a definição programática da formação universitária foi entregue a um debate de burocratas que retirou autonomia à s universidades”, criticou Lourenço do Rosário.
Nesse sentido, prosseguiu, é urgente que as instituições de ensino recuperem o direito de traçar o seu próprio caminho.
Moçambique regista um total acumulado de 5.482 casos de covid-19 com 35 mortes, 122 internados (26 em centros de isolamento) e 3.094 recuperados (55% de todos os positivos).
O total acumulado de infeções representa 4,74% dos testes realizados (115.588) e a taxa de letalidade (35 mortes) representa 0,6% dos casos registados no paÃs desde o inÃcio da pandemia, em 11 de março.
PMA // SR
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