
Cabo Delgado, Moçambique, 29 nov 2025 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, disse hoje que a “dedicação, bravura e tenacidade” das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique evitaram a ocupação total de Cabo Delgado e de outras provÃncias do paÃs por rebeldes.
“Se não fosse a dedicação, a bravura, a tenacidade dos jovens que hoje estão nas fileiras das Forças de Defesa e Segurança, estes que se dedicam em perseguição dos terroristas, faça sol, faça chuva, […] certamente que a provÃncia já estaria toda ela ocupada”, disse o chefe de Estado, no distrito de Montepuez, em Cabo Delgado, durante o encerramento do XIII curso de instrução básica de prestadores de serviços cÃvicos de Moçambique.Â
De acordo com o Presidente moçambicano, não fosse as ações das forças de defesa, a população também já teria sido “escorraçada” das suas residências e “provavelmente os inimigos do povo moçambicano estariam a aterrorizar” todas as provÃncias do paÃs.
“Se isso não aconteceu e não vai acontecer porque os nossos jovens, das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, a Força Local e os nossos amigos do Ruanda e de Tanzânia e outros paÃses, estão dispostos a consentir todo o sacrifÃcio, incluindo […] perderem as suas próprias vidas para defenderem o nosso paÃs e a nossa população”, referiu Chapo.
Aos prestadores de serviços cÃvicos de Moçambique, recém-formados, Daniel Chapo apelou para que tivessem “garra e determinação”, bem como elevado nÃvel de patriotismo e capacidade “elevada” de adaptação e dedicação ao bem comum.Â
“Ainda vos apelamos para que, primeiro, sejam exemplo de civismo onde forem destacados, segundo, honrem a farda que envergam e a bandeira que representam, terceiro, transformarem o conhecimento que adquiriram em resultados concretos para o paÃs”, acrescentou o chefe de Estado moçambicano, sugerindo que os formandos se inspirem nos veteranos da luta de libertação nacional.Â
O Presidente referiu ainda que o serviço cÃvico de Moçambique está a transformar-se num verdadeiro instrumento de desenvolvimento nacional, de coesão social e de independência económica.
“Como já dissemos, cada jovem, no seu local de atividades, conquistamos a nossa independência económica, começando no seio da nossa famÃlia, depois para os vizinhos, para os bairros, para o municÃpio, para o distrito, a provÃncia e para o paÃs”, concluiu Daniel Chapo.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a provÃncia moçambicana de Cabo Delgado registou 14 eventos violentos entre 10 e 23 de novembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, provocando 12 mortos.
De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2.107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.341 mortos, refere no novo balanço, incluindo as 12 vÃtimas reportadas nestas duas semanas de novembro.
“Os confrontos entre as forças estatais e o EIM foram retomados no distrito de Macomia, no que parece ser uma importante operação de contra-insurgência em curso”, lê-se no relatório, que recorda que o Estado Islâmico afirmou num boletim semanal que, em 10 de novembro, o EIM repeliu tentativas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) de recuperar um posto avançado em Quiterajo.
“A 15 de novembro, o EI afirmou ter ferido dois soldados ruandeses num confronto 20 quilómetros a sul, na aldeia de Cogolo. Seis dias depois, fontes locais afirmam que ocorreu outro confronto em Cogolo, quando o EIM emboscou as forças ruandesas que tinham descoberto um engenho explosivo improvisado colocado pelo grupo. Não se registaram vÃtimas mortais e, de acordo com uma fonte, o EIM sofreu feridos no confronto”, descreve ainda o ACLED.
A provÃncia de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de MocÃmboa da Praia.
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