
Lisboa, 24 out 2019 (Lusa) – A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) alertou para os riscos de comprar testes genéticos pela Internet e aconselhou as pessoas que os realizem a procurar ajuda de um médico para compreender os resultados.
Apesar de em Portugal ser proibida a “venda direta” ao público de testes genéticos, o consumidor pode adquiri-los através da internet, em sites que não têm origem em Portugal, da mesma forma que compra um livro ou um jogo online, afirma a Deco num artigo publicado no seu ‘site’.
A Deco adianta que, com uma amostra de saliva, é possÃvel fazer um teste de paternidade ou identificar a propensão para certas doenças.
Bastar a pessoa abrir a boca, esfregar “uma espécie de cotonete gigante (zaragatoa) no interior da bochecha e envia a amostra para o laboratório”, recebendo os resultados por e-mail algumas semanas depois.
“A cena pode parecer saÃda de um filme de ficção, mas é já uma realidade nos nossos dias. Devido à simplicidade do processo, são várias as empresas que atualmente oferecem ao consumidor testes que permitem conhecer a informação genética”, sublinha a Deco.
Através da amostra de saliva ou do chamado “esfregaço das células internas da bochecha”, os testes genéticos de “venda direta” revelam informações desde os traços genéticos à s pistas sobre os locais de onde vieram os antepassados da pessoa e a sua etnicidade.
Podem também denunciar a propensão para engordar ou a predisposição para desenvolver determinados cancros, doenças cardiovasculares ou esclerose múltipla.
“Estes testes podem fornecer informações sobre a saúde e a ascendência, mas não servem para diagnosticar, prevenir ou tratar qualquer problema de saúde”, alerta a associação no artigo.
Adverte ainda que, mesmo que revelem uma predisposição genética para determinada doença, esta pode nunca se manifestar: “um resultado positivo não significa que a pessoa vai ter a patologia, apenas indica maior risco de isso acontecer”, porque há vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento dos problemas de saúde” os genes influenciam apenas em parte.
Por isso, defende a Deco, “quem faz um teste genético deve ter acompanhamento por um profissional de saúde (acontece nos testes prescritos pelo médico), para que possa compreender o significado e as implicações dos resultados”.
“Uma informação inesperada sobre a saúde, relações familiares ou ascendência podem ser stressantes ou mesmo perturbadoras e um leigo nem sempre é capaz de a interpretar corretamente ou pode ter dificuldade em lidar com a situação”, salienta.
A associação adverte ainda que “tomar decisões sobre eventuais tratamentos ou meios de prevenção de doenças com base em informações incorretas, incompletas ou mal-entendidas pode ser perigoso e sair caro”.
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