
Maputo, 03 abr 2025 (Lusa) – O presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje ao partido para preparar a vitória nas autárquicas de 2028 e gerais de 2029.
“Enquanto os outros pensam ainda no ano passado, nós, como a Frelimo, temos que começar a pensar em 2028 e 2029, porque a vitória prepara-se e a vitória organiza-se”, afirmou na abertura da IV sessão ordinária do Comité Central da Frelimo, que vai decorrer durante três dias na Matola, arredores de Maputo.
“Aproveitemos ao máximo esta sessão para manter o partido na vanguarda dos destinos dos moçambicanos. A Frelimo tem este princÃpio de que a vitória prepara-se, a vitória organiza-se. Vamos fazer uma reflexão profunda sobre as eleições de 09 de outubro, mas igualmente preparar as nossas vitórias de 2028 e 2029”, acrescentou o presidente da Frelimo na mesma intervenção.
Daniel Chapo foi eleito em 09 de outubro quinto Presidente da República de Moçambique, num contexto de forte contestação e agitação social, em protestos convocados pelo então candidato presidencial Venâncio Mondlane — que não reconhece os resultados eleitorais -, durante os quais morreram mais de 360 pessoas, em cinco meses.
Chapo pediu à Comissão PolÃtica do partido uma reflexão sobre os fatores que conduziram à s manifestações pós-eleitorais, dentre as quais, destacou, “as dificuldades do Governo em prover necessidades básicas à população, a intolerância polÃtica instalada na sociedade, a postura da arrogância e falta de humildade de alguns dirigentes que cria distanciamento com as nossas populações”, pedindo ações para o partido “tirar o paÃs da atual crise”.
O lÃder da Frelimo e Presidente de Moçambique quer também para ações que confiram ao partido “dignidade” para continuar a governar o paÃs, incluindo o aprofundamento da democracia interna, pelo que pediu aos membros maior abertura a crÃticas, face aos desafios do paÃs.
“Devemos estar mais abertos ao debate, à crÃtica, autocrÃtica, evitando colocar-nos numa posição defensiva. Convidamos a todos os membros do órgãos e convidados a sair fora da caixa, reconhecer nossas fragilidades, assumir nossas fraquezas como organização e articular estratégias eficazes que nos conduzam à nossa autossuperação e ao reforço de coesão e de verdadeira união no seio do partido”, defendeu.
Ainda na intervenção de abertura, Chapo instou ao Comité Central para discutir a orientação ideológica dos membros da formação partidária, apontando ser essencial para se manter a unidade nacional e o patriotismo.
“A Frelimo tem a grande missão de descer à s bases com uma mensagem de paz, amor, perdão, reconciliação, harmonia entre os irmãos moçambicanos, explicando a verdadeira verdade eleitoral. É fundamental voltar para junto das populações para desconstruir as narrativas do evangelho do ódio semeadas por algumas forças polÃticas, que tem criado luto, dor e perdas incalculáveis”, disse Chapo.
A IV sessão do Comité Central decorre até sábado na Escola Central da Frelimo e vai analisar essencialmente assuntos de gestão interna, incluindo relatórios das estruturas do partido e a proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2025.
De acordo com informação da Frelimo, a reunião vai ainda analisar a proposta do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029) e a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado para 2025, ambas já apresentadas à Assembleia da República.
Os membros efetivos do Comité Central da Frelimo voltam a reunir-se depois de, em fevereiro, terem escolhido, sem surpresa, Daniel Chapo para presidente do partido e Chakil Aboobakar para secretário-geral, após votação no principal órgão entre congressos.
O Presidente moçambicano assumiu em 14 de fevereiro a liderança da Frelimo, tendo sido candidato único a suceder à liderança de dez anos, no paÃs e no partido, de Filipe Nyusi.
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