
Lisboa, 01 abr 2024 (Lusa) — O presidente do Observatório de Segurança Interna admitiu hoje que os dados da criminalidade em 2023 são preocupantes, mas defendeu que só será possÃvel uma análise mais profunda com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).
De acordo com as estatÃsticas da Direção-Geral de PolÃtica de Justiça, os crimes registados pelas polÃcias portuguesas aumentaram cerca de 8% no ano passado em relação a 2022 e atingiram os valores mais elevados em 10 anos, totalizando 371.995 ocorrências.
Em declarações à agência Lusa, Hugo Costeira disse que é preciso que seja feita uma comparação com a tipologia de crime e verificar em que zonas do paÃs há registo de um maior Ãndice criminal, sublinhando que também poderá ter havido um aumento do número de denúncias e não de crimes.
“Do ponto de vista estatÃstico, é realmente uma estatÃstica preocupante”, admitiu, sublinhando que é necessário que seja feita uma reflexão com mais dados, que permitam que sejam tomadas outras considerações e medidas.
Na opinião de Hugo Costeira, “poderá não haver um real aumento de criminalidade”, mas sim um aumento do número de queixas à s autoridades, com a consequente diminuição das chamadas cifras negras.
Cifras negras representam as “pessoas que são vÃtimas de crimes e que não os reportam e que realmente passam a reportá-los”, o que poderá ajudar a explicar um possÃvel aumento real.
“Eu acho que nós vamos ter de esperar pelo RASI e tentar perceber, aqui nas tipologias de crimes, de que é que nós estamos exatamente a falar, quais são as zonas onde isto está a acontecer, o que é que leva a que isto aconteça de acordo com a geografia”, sublinhou.
Deu como exemplo o aumento do tráfico de estupefacientes, defendendo que será preciso ver em que zonas do paÃs isso aconteceu para poder ser feita uma leitura mais abrangente e “perceber se há algum fator acrescido que deva ser objeto de uma atenção especÃfica das autoridades”, nomeadamente ao nÃvel de um policiamento de proximidade.
Olhando para o crime organizado, por exemplo no caso de furtos a residências, apontou que já muito se ouviu falar do facto de estes crimes serem levados a cabo por “grupos que podem nem ser nacionais”.
“Vêm a Portugal cometer este crime e desaparecem e, portanto, não são sequer residentes. Portanto, não é uma questão sequer de imigração, é uma questão de crime altamente organizado”, apontou.
Defendeu, mais uma vez, a necessidade de cruzar estes dados com os elementos que venham a constar do RASI e que permitam “do ponto de vista técnico, fazer algumas comparações e tirar algumas ilações”.
Exemplificou também com os registos de condução de veÃculo com taxa de álcool — “que realmente é um grande crime” — para explicar que é preciso ser analisado em que zonas isso mais acontece, se as pessoas identificadas são mais jovens ou se os crimes acontecem junto a locais de diversão noturna.
“Portanto, há aqui diversas métricas que têm de ser analisadas, até para que a resposta seja uma resposta assertiva, porque nós temos de perceber porque é que há tantas detenções com esta taxa de alcoolemia, por exemplo”, sustentou Hugo Costeira.
Sublinhou ainda que a criminalidade deve ser olhada “de forma muito assertiva, quer pelo poder polÃtico, quer pelos lÃderes das forças e serviços de segurança” para que seja possÃvel obter “conclusões válidas sobre o porquê de existirem estes aumentos”.
As estatÃsticas da Direção-Geral de PolÃtica de Justiça mostram igualmente que desde 2013, quando ocorreram 376.403, que não se registavam em Portugal tantos crimes como em 2023.
Os dados indicam também que só em 2020, ano marcado por confinamentos devido à pandemia de covid-19, é que a criminalidade ficou abaixo dos 300 mil crimes, com 298.787 ocorrências.
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