
Porto, 14 fev 2026 (Lusa) — A empresa Cuga, antiga Varandas do Sousa, a maior produtora nacional de cogumelos frescos, assumiu hoje que a dispensa de trabalhadores, tal como o sindicato denunciou na sexta-feira, é uma consequência que não desejava, mas que é inevitável.
“A dispensa de trabalhadores é uma consequência que não desejámos, mas que é inevitável do investimento feito pelos acionistas para qualificar as fábricas”, referiu a empresa, em comunicado enviado à Lusa.
A empresa garantiu que “fará tudo o que for possível” para evitar despedimentos na fábrica de Paredes, no distrito do Porto, e chegar a acordo com os 30 trabalhadores que é obrigada a dispensar a partir de março devido à automatização da linha de embalamento.
As 30 propostas iniciais feitas aos trabalhadores têm “vantagens claras e bonificações muito substanciais” face a um cenário de despedimento, assinalou.
A Cuga revelou que 11 trabalhadores aceitaram rescindir por mútuo acordo, aumentando para 25 o número de acordos fechados.
“Na próxima semana deverão ser fechados os restantes”, ressalvou.
Do grupo dos trabalhadores que já fecharam acordos com a CUGA fazem parte vários sindicalizados e uma delegada sindical, destacou.
“O acordo que estamos a propor aos trabalhadores tem condições incomparavelmente mais favoráveis do que um despedimento coletivo”, disse o presidente executivo (CEO), Nuno Pereira.
Na sexta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) acusou a Cuga de querer despedir trabalhadores com “desinformação, ameaças e horários desregulados”.
Em comunicado, o SINTAB mencionou que a empresa adquiriu recentemente uma nova máquina para a unidade de Paredes, no distrito do Porto, não para produzir mais ou melhor, mas para poder despedir trabalhadoras.
A Cuga assinalou que entre 2023 e janeiro de 2026 aumentou os salários dos colaboradores em cerca de 30%, mais do que duplicando o impacto da inflação.
Para além disso, acrescentou, lançou incentivos à produtividade que permitem acréscimos ao vencimento base que vão desde os 300 a 400 euros em meses de baixa produção e que, em meses de muitas encomendas, podem ultrapassar os 1.000 euros.
Este ano, a empresa estima produzir 6,5 mil toneladas de cogumelos frescos e atingir uma faturação de 24 milhões de euros.
SVF // MSP
Lusa/Fim
