
Havana, 25 out 2026 (Lusa) – O Governo de Cuba decidiu manter o “horário de verão” até novembro de 2027, devido à crise energética que o país enfrenta há dois anos e tem resultado em apagões diários superiores a 20 horas.
“Decidiu-se manter o horário de verão no país até 07 de novembro de 2027, data em que ocorreria a mudança no próximo ano”, informou uma nota oficial conjunta do Ministério da Energia e Minas e do Ministério do Trabalho e Segurança Social, divulgada no sábado.
Segundo a nota oficial, a medida está diretamente ligada ao “recrudescimento do bloqueio e, em particular, ao cerco energético imposto pelo governo dos Estados Unidos” (…), o que “provoca a escassez de combustíveis para a geração de eletricidade”.
Assim, “evitar-se-á um aumento destes apagões, estimado em 126 megawatts (MW), no período da tarde, quando ocorre a procura máxima de eletricidade”, detalha o texto.
O documento salienta, ainda, que deste total, “76 MW correspondem à poupança obtida pela não utilização de iluminação artificial, e 50 MW, à geração de energia solar fotovoltaica neste período”.
A nota oficial sublinha que, com o objetivo de “não prejudicar as atividades sociais nas primeiras horas do dia, o horário de entrada nas escolas e nos locais de trabalho será adiado em 30 minutos, de 01 de novembro de 2026 a 14 de março de 2027”.
Além disso, “nas entidades que operam de forma contínua, os horários de entrada e saída também poderão ser ajustados, de acordo com as características das atividades e processos ali realizados”.
Cuba anunciou em 12 de outubro uma reforma do setor petrolífero e de gás, autorizando concessões para investidores estrangeiros e uma abertura a atores privados locais, no âmbito da liberalização da sua economia.
Os Estados Unidos impuseram desde janeiro um bloqueio petrolífero contra a ilha comunista, que agravou a crise económica e energética que abala o país com 9,4 milhões de habitantes.
Várias empresas estatais e dirigentes do setor petrolífero também foram recentemente sancionados por Washington.
Cuba produz 40% do petróleo que consome, uma produção essencialmente destinada ao funcionamento de sete centrais elétricas envelhecidas que constituem o pilar da sua rede elétrica.
Washington só autoriza o envio de combustível dos Estados Unidos para o novo setor privado cubano. Mas, estas compras, autorizadas desde fevereiro, representam apenas 3% das necessidades do país, segundo as autoridades.
Segundo os números oficiais, mais de 15 mil pequenas e médias empresas estão atualmente em atividade em Cuba e empregam mais de um terço da população ativa.
O Presidente norte-americano Donald Trump considera que a ilha comunista, localizada a 150 quilómetros da costa da Florida, constitui “uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional dos Estados Unidos. Trump avisou várias vezes que poderia “tomar o controlo” daquele país.
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