
Havana, 14 jun 2026 (Lusa) — Cuba volta a enfrentar hoje cortes prolongados de eletricidade, com cerca de 62% do país afetado durante o período de maior consumo, devido à crise energética que atravessa o sistema elétrico nacional.
Segundo a União Eléctrica de Cuba (UNE), citada pela agência EFE, a capacidade de geração prevista para o horário de ponta será de 1.215 megawatts (MW), face a uma procura estimada de 3.100 MW, o que resulta num défice de 1.885 MW.
A mesma fonte estima que a afetação real poderá atingir os 1.915 MW, refletindo o nível de cortes necessários para evitar falhas descontroladas no sistema elétrico.
O país enfrenta uma crise energética agravada desde meados de 2024, com o Governo a classificar a situação como “crítica” e a reconhecer apagões que, em algumas zonas, ultrapassam as 22 horas diárias.
De acordo com a UNE, oito das 16 unidades termoelétricas do país encontram-se fora de serviço devido a avarias ou manutenção, numa rede marcada pela obsolescência das infraestruturas.
Além disso, dezenas de centrais de geração distribuída permanecem paradas por falta de combustível, uma situação que afeta de forma significativa a produção elétrica nacional.
As autoridades cubanas apontam também a escassez de combustíveis e as dificuldades de importação como fatores que agravam a crise, numa conjuntura de forte pressão económica sobre a ilha.
Estudos independentes estimam que seriam necessários entre 8.000 e 10.000 milhões de dólares para recuperar o sistema elétrico cubano.
A crise energética tem impacto direto na economia cubana, com previsões de contração do Produto Interno Bruto (PIB), e efeitos crescentes no descontentamento social, traduzido em protestos localizados nas últimas semanas.
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