
Viena, 12 set 2026 (Lusa) – A Áustria registou, no primeiro semestre deste ano, 862 crimes ligados à extrema-direita, como incitamento ao ódio e ataques racistas, antissemitas ou islamófobos, representando um aumento de quase 10% em relação ao mesmo período de 2025 (787 casos).
O número foi divulgado na sexta-feira pelo ministro do Interior austríaco, o conservador Gerhard Karner, em resposta a uma consulta parlamentar.
Este dado confirma a tendência constante de aumento deste tipo de infração na república alpina, de nove milhões de habitantes.
Em todo o ano de 2023, foram registados 1.208 atos criminosos de extrema-direita, sendo que em 2024, o número subiu para 1.486 e, em 2025, atingiu os 1.986.
Segundo o ministro, entre janeiro e junho passados, a grande maioria dos casos (761) teve uma motivação explicitamente ligada à extrema-direita.
Entre eles, verificou-se um especial aumento das infrações à lei constitucional de 1947, que proíbe atividades de ideologia nazi, bem como a negação ou a minimização dos crimes do regime de Adolf Hitler.
“Em nenhuma circunstância devemos habituar-nos ao facto de os crimes e a violência de extrema-direita continuarem a aumentar. Os fanáticos de extrema-direita são uma ameaça à nossa segurança e à nossa democracia”, declarou a deputada social-democrata Sabine Schatz no Parlamento.
O governo austríaco, uma coligação entre conservadores, sociais-democratas e neoliberais, planeia adotar, nos próximos meses, um plano de medidas contra o extremismo de direita nas áreas da educação, promoção da democracia, prevenção, deteção precoce, perseguição criminal e ressocialização.
Nos últimos anos, tem crescido de forma sustentada o apoio popular ao opositor e ultranacionalista Partido da Liberdade (FPÖ), membro do grupo “Patriotas pela Europa” no Parlamento Europeu, que, depois de vencer as eleições legislativas de 2024 com 29% dos votos, se aproxima atualmente dos 40% nas intenções de voto, segundo as sondagens.
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