
Lisboa, 29 mai 2020 (Lusa) — As vendas de conservas de peixe para a grande distribuição triplicaram em março, face ao perÃodo homólogo, mas “caÃram drasticamente” a partir de abril, não sendo ainda possÃvel perspetivar a evolução de consumo no verão, foi anunciado.
“Na primeira quinzena e mesmo até nas primeiras três semanas de março, algumas cadeias anteciparam a procura e as vendas da indústria para a grande distribuição subiram exponencialmente, cerca de 200%”, indicou o presidente da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), em declarações à agência Lusa.
Conforme apontou José Maria Freitas, na grande distribuição as vendas cresceram, neste perÃodo, entre 130% a 140%.
Já a partir de abril, as vendas da indústria para a distribuição registaram uma “descida abrupta”, referiu este responsável, sem revelar valores, acrescentando que esta evolução pode ser justificada com o nÃvel de ‘stock’ armazenado.
Por categoria, a procura por conservas de atum continua a liderar a tabela, seguindo-se a sardinha e a cavala e, no final da lista, especialidades como polvo e lulas.
O presidente da ANICP notou ainda que este fenómeno está agora com “uma tentativa de diminuição”, potenciada pelo regresso dos consumidores à s grandes cadeias, onde efetuam compras “mais massificadas”.
No entanto, permanece a incerteza quanto à evolução das vendas no verão, perÃodo no qual são historicamente mais elevadas.
“A nossa dúvida é o que vai acontecer no verão […]. É também extremamente difÃcil fazer uma avaliação de como vai estar [a procura] quando isto acabar. Pode verificar-se uma alteração de hábitos alimentares”, vincou.
Até ao momento, a evolução do consumo não tem afetado o preço de venda à grande distribuição como ao consumidor, uma vez que grande parte dos produtos regem-se por cotações mundiais, que não sofreram alterações significativas.
Ainda assim, algumas matérias-primas, nomeadamente, azeite e óleos chegam agora ao mercado a preços mais reduzidos, destacou José Maria Freitas.
O presidente da ANICP lembrou ainda que o setor tem uma tradição exportadora que representa, anualmente, cerca de 250 milhões de euros de faturação.
Apenas 30% do total da produção de conservas fica no mercado nacional.
No caso de atum vendido em Portugal, quase 70% da produção é feita através de produtos importados.
“Por detrás das siglas e das insÃgnias o consumidor não percebe que está a consumir produtos que dependem da importação”, lamentou o responsável.
Para promover e valorizar o consumo de conservas nacionais, a associação está a preparar uma iniciativa, em vigor a partir de junho, através dos canais de televisão e de outros meios, como as redes sociais.
Trata-se “de uma grande campanha mediática que vai ser importante para a valorização e promoção das conservas nacionais, tentando assim alterar o paradigma de consumo”, avançou, à Lusa, José Maria Freitas.
Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três perÃodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.
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