
Pequim, 29 ago 2022 (Lusa) — Um grupo de reflexão (‘think tank’) chinês afirmou hoje que as restritivas medidas de prevenção epidémica do paÃs devem terminar, numa rara demonstração pública de desacordo com a estratégia ‘covid zero’, implementada pelo paÃs asiático.
O grupo Anbound afirmou que o Governo chinês deve concentrar-se em sustentar o crescimento económico, que está em desaceleração, observando que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão a recuperar economicamente, depois de terem levantado as restrições epidémicas.
“Prevenir o risco de paralisação económica deve ser a tarefa prioritária”, apontou o ‘think tank’, num relatório intitulado “Está na hora de a China ajustar as suas polÃticas de controlo e prevenção do vÃrus”.
O relatório foi publicado no domingo, nas contas oficiais do Anbound Research Center nas redes sociais WeChat e Sina Weibo, mas excluÃdo de ambas na tarde de hoje.
As restrições devem permanecer em vigor pelo menos até depois do XX Congresso do Partido Comunista Chinês, que se realiza no outono. O mais importante evento da agenda polÃtica da China deve atribuir ao atual secretário-geral do Partido, Xi Jinping, um terceiro mandato, quebrando com a tradição polÃtica das últimas décadas.
O crescimento económico chinês caiu para 2,5% no primeiro semestre de 2022, em relação ao mesmo perÃodo do ano anterior. Esta taxa de crescimento é menos de metade da meta anual estabelecida por Pequim, de 5,5%.
A altamente contagiosa variante do novo coronavÃrus, Ómicron, obrigou as autoridades chinesas a impor medidas de confinamento extremas, para salvaguardar a estratégia de ‘zero casos’, assumida como um triunfo polÃtico por Xi Jinping.
O bloqueio total de Xangai, a “capital” financeira do paÃs, e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, tiveram forte impacto nos setores de serviços, manufatureiro e logÃstico.
“A economia da China corre o risco de estagnar”, devido ao “impacto das polÃticas de prevenção e controlo epidémico”, observou o grupo de reflexão.
A economia também está sob pressão devido à queda de atividade no imobiliário, depois de Pequim ter exigido o aumento do rácio de liquidez do setor.
Economistas e especialistas em saúde pública alertam desde meados de 2021 que a polÃtica de ‘zero casos’ de covid-19 é insustentável. As autoridades respondem que não têm alternativa, porque deixar o vÃrus alastrar sobrecarregaria o sistema de saúde chinês.
Um médico de Xangai com 3 milhões de seguidores nas redes sociais, Zhang Wenhong, foi alvo de uma investigação por plágio, em 2021, depois de sugerir que a China devia aprender a coexistir com o vÃrus.
Fundada em 1993, a Anbound diz que atendeu ao Grupo Central Financeiro e Económico do Partido Comunista e forneceu pesquisas para agências governamentais e instituições financeiras.
O seu relatório não deu nenhuma indicação se representa o pensamento de quadros do Partido Comunista que estão descontentes com o crescente custo económico e social da estratégia de Pequim.
A polÃtica da China manteve os números de mortes e infeções baixos, mas levou a uma vaga de falências.
De acordo com a imprensa chinesa, os governos locais estão a cortar nos serviços públicos e nos salários dos funcionários, para poderem suportar os custos com os testes em massa e as medidas de bloqueio.
A cidade de Shenzhen, um importante centro de tecnologia e finanças, situado no sul da China, anunciou hoje o encerramento por três dias de algumas áreas residenciais, para conter um surto.
Também hoje, o governo de Shenyang, a cidade mais populosa do nordeste, adiou o inÃcio das aulas presenciais para alunos dos nÃveis de ensino básico e médio.
A China precisa de “se concentrar na recuperação económica e integrar-se gradualmente no mundo”, lê-se no relatório da Anbound.
As restrições fronteiriças impedem a entrada da maioria dos visitantes estrangeiros. O governo parou de renovar passaportes que expiraram e pediu ao público que evite viajar além-fronteiras.
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